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Estudo de impacto · Pandemia, saúde pública e vacinação · saúde · declarações

Efeito das falas do presidente contra o isolamento (15 e 24/03/2020) sobre o distanciamento social em municípios pró-governo (não estima óbitos)

Nicolás Ajzenman, Tiago Cavalcanti e Daniel Da Mata (FGV EESP; Universidade de Cambridge) (2021-03). Texto para discussão.

Situação editorial: Revisão de fontes · Auditada — pronta para revisão humana em 14 out. 2026

Registro em revisão de fontes; não publicado.

Estudo causal. Usa estratégia de identificação declarada e estima o efeito com incerteza, sob as hipóteses do próprio estudo.

Sentido do resultado: Efeito desfavorável · Leitura: lidas as partes relevantes (método e resultados)

O que o estudo examina

Decisão ou política
Manifestações públicas do presidente Jair Bolsonaro contra o isolamento social: participação nas manifestações de 15/03/2020 e pronunciamento oficial na noite de 24/03/2020 (o estudo usa 25/03 como dia do evento). (Executivo federal)
Resultado estudado
Índice de distanciamento social municipal (percentual de aparelhos celulares que ficaram num raio de 450 m de casa, dados da In Loco); secundariamente, transações presenciais com cartão e casos notificados.
Período
01/02/2020 a 14/04/2020.
População ou unidade
Municípios com índice de distanciamento calculado (3.975 de 5.571; 3.950 nas regressões), com dados de cerca de 60 milhões de aparelhos.

Método

Diferença em diferenças com efeitos fixos de município e de dia, defasagens e antecipações (estudo de evento, 10 dias antes e depois). Tratamento: município "pró-governo" (votação de Bolsonaro no 1º turno de 2018 acima da mediana do estado) × dias dos dois eventos. Controles: medidas estaduais (fechamento de escolas, proibições), pobreza × dia, ruralidade × dia, tendência linear por estado; pesos pela população de 2019; erros-padrão agrupados por estado-dia. Robustez: votação contínua, limiar de 50%, agrupamento por município e por estado, eventos-placebo (outros pronunciamentos sem mensagem contra o isolamento).

Por que é lido como estudo causal — e até onde

Hipóteses de identificação
Tendências paralelas: sem as falas, o índice de distanciamento dos municípios pró-governo (votação de Bolsonaro acima da mediana do próprio estado em 2018) evoluiria como o dos demais municípios do mesmo estado, nos dias em torno de 15/03 e 25/03/2020. Também se supõe que nenhum outro choque, diferente entre os dois grupos, tenha ocorrido nessas mesmas datas, e que os eventos tenham sido escolhidos por saliência (capas de jornais, buscas no Google, tuítes), não por tendências do distanciamento. A comparação dentro do estado busca neutralizar choques estaduais.
Testes apresentados pelo estudo
Antecipações (10 dias antes) pequenas em relação aos erros-padrão na tabela A.2 (p. 32) e na tabela A.3 (p. 33); os autores dizem que as pré-tendências são insignificantes. Placebo com os demais pronunciamentos oficiais, sem mensagem contra o isolamento: sem efeito antes nem depois (figura A.8, d; resultado lido no texto, p. 8). Robustez: votação contínua, limiar de 50%, restrição a estados com variação suficiente, erros agrupados por município e por estado, intensidade contínua medida pelas capas de jornais, só o primeiro evento e diferença em diferenças estática (pp. 8–9). Controles: medidas estaduais (escolas, proibições), pobreza × dia, ruralidade × dia e tendência linear por estado. Mesmo sentido em gastos presenciais com cartão (p. 10).
Ameaças à validade
Outras diferenças entre municípios pró-governo e os demais que podem ter mudado nas mesmas datas: medidas e fiscalização municipais (o texto lido não mostra controle para medidas municipais; os autores dizem não poder controlar o momento da fiscalização, que pode ter sido afetado pelas próprias falas); cobertura e enquadramento da mídia local; reação simultânea de governadores e prefeitos de oposição. Os eventos são próximos (9 dias), e há dias que servem ao mesmo tempo de tratamento e controle (os autores testam ignorando o segundo evento). A medida vem de uma amostra de celulares de uma empresa privada, possivelmente não representativa. O desenho não separa queda entre apoiadores de alta entre opositores (nota 11). Os resultados sobre canais (mídia, Twitter, evangélicos) são, pelos próprios autores, sugestivos.
Alcance da conclusão
Vale para a diferença no índice de distanciamento entre municípios pró-governo e os demais (cerca de −1,1 p.p. numa escala de 0 a 100, ou 0,075 desvio-padrão) nos dias seguintes a 15/03 e 24–25/03/2020, em 3.950 municípios com dado de mobilidade, entre fevereiro e meados de abril de 2020. Não se pode concluir: efeito sobre óbitos (não estimado); efeito sobre casos (os autores tratam como sugestivo, por erro de medida); efeito agregado nacional (o número de 9,2% mais casos vem de simulação calibrada, não de estimativa); efeito de outras falas ou de outros períodos da pandemia; efeito sobre vacinação.

Versão lida: IZA Discussion Paper nº 14229, março de 2021 (PDF do IZA), lido em partes: seções I–V (pp. 1–11), tabelas A.2 e A.3 (pp. 32–33), notas das figuras e início do apêndice B. As figuras foram lidas só pelas notas e pelo texto. A versão publicada em revista (2023) não foi lida. · avaliação em 14 out. 2026

Estimativa e incerteza

Diferença em diferenças simples (tabela A.3, col. iv, todos os controles): −1,12 ponto percentual no índice de distanciamento (escala 0–100) nos municípios pró-governo após 15/03/2020. Com a votação contínua: cada ponto percentual de votação reduz o índice em cerca de 0,08 ponto após os eventos; a diferença de 14 p.p. entre os grupos equivale a cerca de 1,1 ponto, ou 0,075 desvio-padrão. Antecipações não significativas.

Incerteza: Erro-padrão de 0,3955 (agrupado por estado-dia) para −1,1243 na tabela A.3, col. iv; nas colunas ii e iii, −1,0950 (0,3833) e −1,1563 (0,3873); sem controles, −0,5207 (0,7675). Os estudos de evento são apresentados em figuras com intervalos de 90% e 95%, não lidas como imagem.

Estimativas são do estudo, sob as hipóteses dele; não são valores observados nem se somam a resultados de outros estudos.

Limitações

  • Mede a diferença entre municípios pró e anti-governo; não distingue se os apoiadores reduziram o distanciamento ou se os opositores o aumentaram (nota 11 dos autores).
  • O efeito sobre casos é sugestivo: os próprios autores apontam grande erro de medida (subnotificação, testagem desigual, 95% das observações com zero casos).
  • A simulação SIR (9,2% mais casos novos no agregado após 10 dias) é calibrada pelos autores, não estimada nos dados.
  • Janela curta (fevereiro a meados de abril de 2020); não informa efeitos sobre mortes nem sobre períodos posteriores.
  • Versão de trabalho (IZA, março de 2021); a versão publicada em revista não foi lida.
  • Dados de celulares de uma empresa privada podem não representar toda a população (nota 7 dos autores).

Referência e trechos

Ajzenman N, Cavalcanti T, Da Mata D. "More than Words: Leaders' Speech and Risky Behavior During a Pandemic". IZA Discussion Paper nº 14229, março de 2021 — acessar

Indicadores relacionados

Lacunas

  • Versão publicada em revista (2023) não lida.
  • Outros estudos sobre falas presidenciais e comportamento na pandemia (por exemplo, com diferença em diferenças por eleitorado) não foram lidos nesta frente.

Histórico

  1. 14 out. 2026 — Ficha criada no Lote 6, §2 (frente saúde, renda e fiscal), por pesquisa assistida. Método e resultados lidos no texto indicado em "leitura"; aguarda revisão humana de fontes e editorial.
  2. 14 out. 2026 — Revisão da classificação causal (instrução do responsável): relidas as seções II, IV.1, IV.2, IV.4 e as tabelas A.2 e A.3. Classificação mantida como "estudo_causal" (antes: estudo_causal; depois: estudo_causal), com avaliacao_causal preenchida e alcance restrito ao distanciamento social de fev.–abr. de 2020. interno · fora da versão pública
  3. 14 out. 2026 — Ajuste de pertinência (instrução de 14/10/2026, §6). Antes: título "Efeito das falas do presidente contra o isolamento (15 e 24/03/2020) sobre o distanciamento social em municípios pró-governo". Depois: título "Efeito das falas do presidente contra o isolamento (15 e 24/03/2020) sobre o distanciamento social em municípios pró-governo (não estima óbitos)". Motivo: a ficha está ligada ao indicador de óbitos por covid-19, mas o estudo estima distanciamento social em fev.–abr. de 2020, não mortes; a ligação é mantida por ser útil e o título passa a dizer que não há estimativa de óbitos. Natureza da evidência e indicadores ligados não mudaram. interno · fora da versão pública