Estudo de impacto · Pandemia, saúde pública e vacinação · saúde · mortalidade
Excesso de óbitos por todas as causas no Brasil em 2020 e 2021, estimado por modelo de linha de base (contexto, sem atribuição a decisões)
Saditt Rocio Robles Colonia, Lara Morena Cardeal, Rogério Antonio de Oliveira e Luzia Aparecida Trinca (Unesp) (2023-05). Artigo revisado por pares.
Registro em revisão de fontes; não publicado.
Modelagem ou simulação. Estima o que aconteceria em outro cenário, sob hipóteses e parâmetros do modelo. Cenário estimado não é efeito demonstrado nem valor observado.
O que o estudo examina
- Decisão ou política
- Nenhuma decisão específica. O estudo mede o excesso de mortalidade durante a pandemia; entra como contexto para o indicador de óbitos. A introdução e a conclusão contêm juízos dos autores sobre o governo federal, que não são estimados no estudo.
- Resultado estudado
- Óbitos por todas as causas acima da linha de base esperada (excesso de óbitos e P-score).
- Período
- Semanas epidemiológicas 10–53 de 2020 e 1–52 de 2021 (março de 2020 a dezembro de 2021).
- População ou unidade
- Óbitos registrados no SIM, Brasil, também por UF, sexo, idade, raça/cor e causa.
Método
Modelo linear misto para prever a linha de base semanal de óbitos (sazonalidade por séries de Fourier, efeitos aleatórios por ano, tendência linear), ajustado com dados do SIM de 2015 até a semana 9 de 2020; excesso = óbitos observados − previstos, com intervalos de previsão. GEE como comparação. Estimativa descritiva: não relaciona o excesso a nenhuma decisão.
Modelagem: o que foi observado e o que foi estimado
- Resultados observados
- Óbitos por todas as causas registrados no SIM por semana epidemiológica (2020 com dados definitivos; 2021 preliminares na extração de setembro de 2022) e óbitos por covid-19 contados pelos autores: 214.620 em 2020 e 420.193 em 2021.
- Cenários estimados pelo modelo
- Linha de base de óbitos esperados sem a pandemia, projetada para as semanas 10–53 de 2020 e 1–52 de 2021. Excesso = observado − previsto: 187.842 (2020; P-score 16,1%) e 441.048 (2021; P-score 31,9%).
- Hipóteses
- Sem pandemia, a mortalidade semanal seguiria a sazonalidade (séries de Fourier), o efeito aleatório do ano e a tendência linear estimados de 2015 à semana 9 de 2020. O efeito específico de 2020 é previsto a partir das 9 primeiras semanas do ano; para 2021 não há semanas pré-pandemia, e a tendência linear substitui o efeito do ano. Normalidade aproximada dos óbitos semanais.
- Parâmetros
- Estimados por modelo linear misto com dados do SIM de 2015 à semana 9 de 2020: coeficientes de Fourier (K de 1 a 3, escolhido por teste de falta de ajuste), tendência linear, variância do efeito aleatório do ano e estrutura de correlação serial (Methods, passos 1 a 9). Assumidos: período-base e forma funcional. Um modelo GEE foi ajustado como comparação.
- Validação
- Validação fora da amostra: para cada ano de 2015 a 2019, os modelos foram ajustados com os cinco anos anteriores e as 9 primeiras semanas, e as semanas 10–52 foram previstas e comparadas com os óbitos observados, só no total nacional por todas as causas (Table 1). Erro percentual absoluto médio (MAPE) de 2,42% no modelo linear misto e de 2,62% no GEE; os autores dizem que ambos são muito superiores à média de cinco anos e que ambos subestimam o pico anual. Não há validação equivalente para a previsão de 2021, sem semanas pré-pandemia.
- Incerteza
- Intervalos de previsão de 95%: 164.122–211.562 (2020) e 411.740–470.356 (2021), com fórmula explícita para a incerteza da previsão.
- Limites de extrapolação
- Mede o excesso total de mortes no período, com efeitos diretos e indiretos da pandemia misturados. Não atribui mortes a decisões de governo nem permite repartir o excesso entre causas. O número de 2021 depende de dados preliminares e da tendência linear; os autores admitem possível subestimação da linha de base desse ano.
Estimativa e incerteza
Excesso estimado = óbitos observados menos linha de base projetada pelo modelo (cenário sem pandemia): 187.842 óbitos em excesso em 2020 (P-score 16,1%) e 441.048 em 2021 (P-score 31,9%). Observado no mesmo período, segundo a contagem dos autores: 214.620 (2020) e 420.193 (2021) óbitos por covid-19. O excesso é estimativa de modelo, não contagem.
Limitações
- Dados de 2021 preliminares na data de extração (setembro de 2022), sujeitos a revisão.
- Os autores dizem não ter previsões de efeitos específicos para 2021, o que pode subestimar a linha de base desse ano.
- Excesso de mortalidade mistura efeitos diretos e indiretos da pandemia; não é medida de mortes causadas por decisões de governo.
- Faltas de raça/cor sub-representam alguns grupos.
Referência e trechos
Robles Colonia SR, Cardeal LM, de Oliveira RA, Trinca LA. "Assessing COVID-19 pandemic excess deaths in Brazil: Years 2020 and 2021". PLoS ONE 18(5): e0272752, 2023. DOI 10.1371/journal.pone.0272752 — acessar
- PLOS ONEfichaAbstract (p. 1): 187 842 (95% PI: 164 122; 211 562, P-Score = 16,1%) e 441 048 (95% PI: 411 740; 470 356, P-Score = 31,9%)
- PLOS ONEfichaMethods (pp. 2–6): dados do SIM, modelo linear misto, linha de base 2015–semana 9/2020
- PLOS ONEficha"Excess deaths at the country level" e Table 2 (pp. 7–10): 214 620 e 420 193 óbitos por covid-19
- PLOS ONEficha"Strengths and limitations of the study" (p. 20)
- PLOS ONEfichaMethods, "Prediction accuracy" (p. 6) e Table 1 (accuracy measures: MAPE médio 2,42 no LMM e 2,62 no GEE); "LMM versus GEE" (p. 7)
Indicadores relacionados
Lacunas
- Estimativas da OMS e de outros estudos nacionais (por exemplo, 13,7% de excesso em 2020 em artigo da Revista de Saúde Pública, visto só em resultado de busca) não foram lidas; diferenças de modelo de linha de base mudam o número.