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bolsonaros.com

Checagem · Democracia, eleições e instituições · Desinformação e ataques à imprensa

Em live, em agosto de 2021, Jair Bolsonaro disse que o próprio TSE havia demonstrado que os números das eleições de 2018 podem ter sido fraudados; os documentos do inquérito não mencionam adulteração de votos, e o TSE afirmou o contrário

Jair Bolsonaro · 4 ago. 2021 · Live e entrevista no programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, com o deputado Filipe Barros · Situação editorial: Revisão de fontes

Auditada — pronta para revisão humana em 14 out. 2026 — Divulgação e achados comparados com as fontes (transcrição e exame judiciais; notas do TSE). Pronta para revisão não significa aprovação.

Revisão editorial assistida por IA em 14 out. 2026 — pendente de aprovação humana

Registro em revisão de fontes; não publicado.

Resultado

Falso

A afirmação atribui ao próprio TSE a demonstração de que os números de 2018 podem ter sido fraudados. Os documentos do inquérito, segundo o exame feito pelo relator no TSE, não mencionam adulteração de votos nem suspeita de fraude; o TSE afirmou o contrário em nota no dia seguinte à live; e o relator da AIJE 0600814-85, cujo voto a maioria seguiu em 30/06/2023, qualificou como "mentira" a leitura feita na live. Não há manifestação do TSE que sustente a afirmação.

A afirmação

“"tá mais do que demonstrado, agora, pelo próprio TSE, que as urnas, né, a... os números das eleições podem ter sido fraudados; podem ter sido manipulados, sim."”

Onde e quando foi divulgada:

Ver a declaração completa, com contexto.

Contexto

Na live, Jair Bolsonaro e Filipe Barros apresentaram documentos do inquérito da Polícia Federal nº 1361/2018, aberto a pedido do TSE depois de um ataque hacker à rede do tribunal, e disseram que eles provariam que o TSE sabia que votos poderiam ter sido alterados em 2018. A live foi na véspera da votação da PEC do voto impresso na Comissão Especial da Câmara. O então presidente também disse, na mesma transmissão, que não queria "inventar coisa" e que havia "indícios fortíssimos".

O que foi verificado

Os documentos do TSE que integram o inquérito da PF nº 1361/2018, ou outras manifestações do TSE, demonstram ou admitem que os números das eleições de 2018 podem ter sido fraudados ou manipulados?

Método

Leitura (1) da nota à imprensa do TSE de 05/08/2021, divulgada no dia seguinte à live; (2) da página "Fato ou Boato" do TSE de 12/08/2021; (3) do voto oral do relator da AIJE 0600814-85, que examinou os documentos do inquérito requisitados nos autos (pp. 59–66 e 99–109). O inquérito está sob sigilo e não foi consultado diretamente. Critério: a afirmação é falsa se os documentos citados não contêm a admissão atribuída ao TSE e se o TSE afirmou o contrário.

Achados

  • Fato documentado

    Em nota de 05/08/2021, o TSE afirmou que o acesso indevido investigado "não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018", que as urnas "jamais entram em rede" e que a investigação nunca lhe comunicou "qualquer elemento indicativo de fraude".

  • Decisão judicial · voto do relator na AIJE 0600814-85 (TSE), seguido pela maioria em 30/06/2023

    Segundo o voto do relator na AIJE 0600814-85, que examinou cópia integral do inquérito, a portaria de instauração (08/11/2018) trata de "suposta invasão a sistemas e bancos de dados do TSE", sem referência a suspeita de fraude eleitoral, e a Informação nº 32 da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE "não menciona em ponto algum a possibilidade de que tenha havido adulteração de votos na urna eletrônica ou interferência no sistema de totalização".

  • Decisão judicial · voto do relator na AIJE 0600814-85 (TSE)

    O mesmo voto registra que a Polícia Federal documentou a forma, a motivação (financeira) e a autoria do ataque, e que o hacker escolheu o TSE "com fins inteiramente desconectados do propósito de interferir nas eleições".

  • Decisão judicial · voto do relator na AIJE 0600814-85 (TSE)

    Sobre a live de 04/08/2021, o relator escreveu que a "tradução" de que o hacker poderia fazer "ao se digitar o algarismo 1" o voto virar 13 "é mentira", porque o relato do acesso ao código-fonte e a senhas de oficialização não autoriza dizer que votos foram ou poderiam ser manipulados em 2018.

  • Fato documentado

    Na página "Fato ou Boato" de 12/08/2021, o TSE afirmou que não há fraude comprovada nas eleições de 2018 e que, a pedido do PSL, peritos da PF e do partido auditaram urnas usadas no 1º turno em Curitiba e concluíram não ter havido fraude.

Limitações

O inquérito nº 1361/2018 (hoje Inquérito nº 5.007.377-27, segundo o voto) está sob sigilo e não foi consultado; os achados v2 a v4 dependem do exame feito pelo relator, lido em cópia do voto oral republicada pelo Poder360, e o voto escrito de 382 páginas não foi lido. O TSE é parte interessada no debate sobre o sistema que administra; por isso as notas v1 e v5 são citadas como manifestação do TSE, não como prova independente. A fala foi lida na transcrição do TSE; o vídeo original não foi consultado. Não foram consultadas checagens de agências.

Resposta do autor

  • Resposta não localizada na pesquisa

    Procurada, em 14/10/2026, no voto oral do relator e nas notas do TSE: não foi localizada manifestação de Jair Bolsonaro sobre esta afirmação específica. Na própria live, segundo a transcrição do TSE, ele disse "Eu não quero inventar coisa aqui, mas são indícios fortíssimos". Os argumentos da defesa na AIJE não foram lidos. Nenhum pedido de manifestação foi enviado.

Dossiês relacionados

Histórico

  1. 14 out. 2026 — Registro criado no Lote 4, Grupo A (pesquisa assistida; aguarda revisão humana de fontes).
  2. 14 out. 2026 — Revisão editorial assistida — correção (resultado): antes «A afirmação atribui ao próprio TSE a demonstração de que os números de 2018 podem ter sido fraudados. Os documentos do inquérito, segundo o exame feito pelo relator no TSE, não mencionam adulteração de votos nem suspeita de fraude; o TSE afirmou o contrário em nota no dia seguinte à live; e a decisão do TSE na AIJE 0600814-85 tratou a leitura feita na live como falsa. Não há manifestação do TSE que sustente a afirmação.» / depois «A afirmação atribui ao próprio TSE a demonstração de que os números de 2018 podem ter sido fraudados. Os documentos do inquérito, segundo o exame feito pelo relator no TSE, não mencionam adulteração de votos nem suspeita de fraude; o TSE afirmou o contrário em nota no dia seguinte à live; e o relator da AIJE 0600814-85, cujo voto a maioria seguiu em 30/06/2023, qualificou como "mentira" a leitura feita na live. Não há manifestação do TSE que sustente a afirmação.» — a qualificação é do voto do relator (achado v4), não da decisão colegiada como um todo. interno · fora da versão pública
  3. 14 out. 2026 — Revisão editorial assistida (pendente de aprovação humana): 1 ajuste de redação ou classificação (resultado).
  4. 14 out. 2026 — Revisão editorial assistida — correção (titulo): antes «É falso que documentos do TSE demonstrem que os números das eleições de 2018 podem ter sido fraudados» / depois «Em live, em agosto de 2021, Jair Bolsonaro disse que o próprio TSE havia demonstrado que os números das eleições de 2018 podem ter sido fraudados; os documentos do inquérito não mencionam adulteração de votos, e o TSE afirmou o contrário» — título padronizado no estilo «onde/quando, autor disse que afirmação; o que os dados ou documentos mostram», sem antecipar o rótulo do veredito (folha, pendência 3). interno · fora da versão pública
  5. 14 out. 2026 — Revisão editorial assistida (pendente de aprovação humana): título padronizado (afirmação atribuída seguida do que as fontes mostram).