
Escândalo · Relações internacionais e diplomacia
Jair e Eduardo Bolsonaro e o governo de Israel: promessa de embaixada em Jerusalém, escritório comercial e visitas com Netanyahu (2018–2024)
Presidente eleito, Jair Bolsonaro disse ao jornal Israel Hayom (01/11/2018) que pretendia transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, e dias depois afirmou que a mudança "não está decidida". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visitou o Brasil em dezembro de 2018 e esteve na sessão de posse. Na visita oficial a Israel (31/03–02/04/2019), Bolsonaro anunciou um escritório brasileiro de promoção comercial em Jerusalém, em vez da embaixada, e visitou o Muro das Lamentações com Netanyahu; a Autoridade Palestina convocou seu embaixador no Brasil. O escritório, administrado pela Apex-Brasil, foi inaugurado em 15/12/2019 com Netanyahu e Eduardo Bolsonaro. Em abril de 2019, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, criticou declaração de Bolsonaro de que o Holocausto poderia ser perdoado. A embaixada não foi transferida: em 2026 o Itamaraty mantém a Embaixada do Brasil em Tel Aviv. Em 25/02/2024, apoiadores levaram bandeiras de Israel a ato de Bolsonaro na Avenida Paulista, o que o Instituto Brasil-Israel criticou.
Este dossiê está em revisão de fontes. As fontes foram reunidas por pesquisa assistida e ainda precisam ser conferidas por um editor antes da publicação.
Pessoas e instituições envolvidas
Contexto
Este dossiê trata de **decisões e declarações de governos e de pessoas identificadas** (Jair e Eduardo Bolsonaro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente de Israel Reuven Rivlin, a Autoridade Palestina, entidades brasileiras), com data e fonte. Não faz generalizações sobre Israel, judeus ou comunidades religiosas. A promessa de campanha de transferir a embaixada para Jerusalém seguia decisão do governo Trump (dossiê relacionado), mas o resultado documentado foi um escritório comercial; a embaixada continua em Tel Aviv. A ligação com o dossiê do governo Trump se limita aos fatos comuns (conversa de Eduardo com Jared Kushner sobre a embaixada em 2018).
Cronologia
Presidente eleito, Bolsonaro diz ao jornal israelense Israel Hayom que planeja transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém e que Israel deve ter liberdade para escolher sua capital. Declaração registrada
- CartaCapitalfichatrecho: "declarou a um jornal israelense que planeja transferir a embaixada de seu país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém"; "Israel deveria ter liberdade para escolher sua capital"
Bolsonaro diz que a mudança "não está decidida" e que "não é um ponto de honra"; responde a perguntas sobre o cancelamento, pelo Egito, de uma comitiva do chanceler Aloysio Nunes, que a imprensa relacionou à declaração sobre a embaixada. Declaração registrada
- Brasil de Fatofichatrechos: "a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém ainda “não está decidida”"; "Para nós, isso não é um ponto de honra"; "o fato de o Egito ter cancelado uma comitiva do ministro Aloysio Nunes"
Em Washington, Eduardo Bolsonaro se reúne com Jared Kushner; segundo o BuzzFeed News, confirma que o pai transferirá a embaixada para Jerusalém. Segundo o Jornal do Comércio, a mudança era "opção ainda em estudo". Declaração registrada
- BuzzFeed Newsfichatrecho: "Eduardo confirmed that his father will move Brazil’s embassy in Israel to Jerusalem — after Jair had seemingly backed away from the decision over Arab countries’ concerns"
- Jornal do Comércio (Porto Alegre)fichatrecho: "A conversa teve como tema a mudança da embaixada do Brasil localizada em Israel para a cidade de Jerusalém, opção ainda em estudo pelo futuro governo"
Netanyahu, em visita ao Brasil, encontra Bolsonaro no Forte de Copacabana (Rio) e participa de cerimônia de Shabat em sinagoga de Copacabana. Segundo a Folhapress, é a primeira visita de um primeiro-ministro israelense em exercício ao país desde 1948. Fato documentado
Netanyahu está no plenário da Câmara na sessão solene do Congresso que dá posse a Bolsonaro, segundo legenda oficial da Agência Senado. Fato documentado
- primáriaWikimedia Commons (reprodução do Flickr do Senado Federal)fichalegenda: "sessão solene do Congresso Nacional destinada a dar posse ao presidente e ao vice-presidente da República. Participam: primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu"
No primeiro dia da visita oficial a Israel, ao lado de Netanyahu, Bolsonaro anuncia a criação de um escritório de representação comercial em Jerusalém (ciência, tecnologia, inovação e negócios), e não a transferência da embaixada. Netanyahu diz esperar que "um dia" a embaixada chegue a Jerusalém. Fato documentado
- Money Times (republicação de texto da Agência Brasil)fichatrechos: "anunciou hoje (31) a criação de um escritório de representação comercial em Jerusalém"; "Eu espero, quem sabe, um dia chegue a Embaixada do Brasil a Jerusalém"
Segundo o Congresso em Foco (com O Globo), a Autoridade Palestina convoca seu embaixador no Brasil, Ibrahim Alzeben, em resposta ao anúncio do escritório em Jerusalém. Fato documentado
- Congresso em Focofichatrecho: "A Autoridade Palestina (AP) convocou o seu embaixador no Brasil, Ibrahim Alzeben, em resposta à decisão do presidente Jair Bolsonaro de abrir um escritório de negócios em Jerusalém"
Bolsonaro visita o Muro das Lamentações, em Jerusalém, acompanhado de Netanyahu. A Reuters registra que o local fica na parte da cidade ocupada por Israel em 1967 e depois anexada, anexação não reconhecida internacionalmente. Fato documentado
- CNBC (republicação de texto da Reuters)fichatrechos: "Brazilian President Jair Bolsonaro, accompanied by Israel's prime minister, visited Jerusalem's Western Wall on Monday"; "annexed in a move not recognized internationally"
Sobre a reação palestina, Bolsonaro diz que "é direito deles reclamar" e que a transferência da embaixada deve ser feita "com calma" e em contato com outros países. Declaração registrada
- Money Times (republicação de texto da Agência Brasil)fichatrechos: "“É direito deles reclamar”, disse"; "essa transição deve ser feita com calma e mantendo contato com outros países"
Em evento com evangélicos no Brasil, Bolsonaro diz que o Holocausto pode ser perdoado, mas não esquecido. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, responde no Twitter que ninguém pode decidir pelo perdão do povo judeu; o Yad Vashem divulga nota no mesmo sentido. Bolsonaro recua em nota divulgada pelo embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley (14/04). Declaração registrada
- The Nationalfichatrechos: "We can forgive but we can't forget"; Rivlin: "no one will ordain the Jewish people's forgiveness"; "It is no one's place to decide who can be forgiven"; "posted on the Facebook page of Yossi Shelley"
O governo brasileiro inaugura em Jerusalém o escritório de promoção de inovação, tecnologia e investimentos, administrado pela Apex-Brasil, com Netanyahu, o embaixador de Israel Yossi Shelley e Eduardo Bolsonaro. Eduardo escreve que o escritório é o "primeiro passo" para a transferência da embaixada. Fato documentado
Em ato convocado em defesa de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, manifestantes levam bandeiras do Brasil e de Israel e pedem o impeachment de Lula, dias depois de o presidente comparar os ataques israelenses na Faixa de Gaza ao Holocausto (segundo o Estadão Conteúdo). Fato documentado
O Instituto Brasil-Israel critica, em nota, o uso das bandeiras como "instrumentalização da imagem de Israel pela extrema-direita brasileira"; segundo o Congresso em Foco, entidades de representação judaica viram o gesto com preocupação. Declaração registrada
- Congresso em Focofichatrechos: "“instrumentalização da imagem de Israel pela extrema-direita brasileira"; "foi visto com preocupação diante da apropriação de um de seus principais símbolos"
O que está documentado
- Fato documentado
A promessa de transferir a embaixada para Jerusalém não foi cumprida: o que se documenta é um escritório de promoção comercial (anunciado em 31/03/2019, inaugurado em 15/12/2019). Em 14/10/2026, o Itamaraty mantém a "Embaixada do Brasil em Tel Aviv".
- Money Times (republicação de texto da Agência Brasil)fichatrecho: "a criação de um escritório de representação comercial em Jerusalém"
- Poder360fichatrecho: "inaugurou neste domingo (15.dez.2019) 1 escritório em Jerusalém"
- primáriagov.br/mrefichatítulo da página: "Embaixada do Brasil em Tel Aviv"
- Fato documentado
Fatos que matizam a aproximação: Bolsonaro disse em 06/11/2018 que a transferência "não é um ponto de honra"; a Autoridade Palestina convocou seu embaixador após o anúncio do escritório; o presidente de Israel, Reuven Rivlin, e o Yad Vashem criticaram publicamente a declaração de Bolsonaro sobre perdoar o Holocausto (abril de 2019); e o Instituto Brasil-Israel criticou o uso de bandeiras de Israel no ato de 25/02/2024.
- Brasil de Fatofichatrecho: "Para nós, isso não é um ponto de honra"
- Congresso em Focofichatrecho: "convocou o seu embaixador no Brasil, Ibrahim Alzeben"
- The Nationalfichatrecho: "Israeli President Reuven Rivlin condemned the Brazilian leader for his remarks"
- Congresso em Focofichatrecho: "instrumentalização da imagem de Israel pela extrema-direita brasileira"
Alegações e seus autores
Instituto Brasil-Israel, fev. 2024: Em nota, afirmou que o uso de bandeiras israelenses no ato de 25/02/2024 faz parte de uma "instrumentalização da imagem de Israel pela extrema-direita brasileira", baseada em imagem "imaginária" do país.
- Congresso em Focofichatrecho: "baseada na perspectiva imaginária de um país conservador, branco e cristão"
Respostas dos envolvidos
- Resposta pública
Jair Bolsonaro, 14 abr. 2019: Em nota divulgada pelo embaixador de Israel no Brasil, disse que sua fala sobre perdoar o Holocausto nunca teve a intenção de ser usada em contexto histórico.
- The Nationalfichatrecho: "My speech was never meant to be used in a historical context"
Limitações e questões em aberto
- Votos do Brasil na ONU sobre Israel e Palestina em 2019–2022 não foram levantados.
- Comunicados do gabinete do primeiro-ministro de Israel (gov.il) sobre a posse de 2019, a visita de 2019 e o escritório de Jerusalém não foram localizados; o Times of Israel recusou acesso (HTTP 403).
- A declaração conjunta Brasil–Israel de 31/03/2019 e a nota do Itamaraty sobre o escritório não foram lidas; segundo resultados de busca, o comunicado do Itamaraty teria sido alterado no mesmo dia (não verificado).
- Cancelamento da agenda do chanceler Aloysio Nunes no Egito (nov/2018): só a manchete de O Povo e a menção do Brasil de Fato foram lidas; não há comunicado egípcio que dê o motivo.
- Não há registro lido de Jair ou de Eduardo portando bandeira de Israel em ato; o fato documentado refere-se a manifestantes no ato de 25/02/2024. Uso de bandeira dos EUA em atos não foi documentado.
- Posição da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e de outras entidades sobre a promessa da embaixada e sobre o ato de 2024 não foi localizada.
- Relação de Bolsonaro com o governo de Israel após 2022 (inclusive depois de 07/10/2023) não foi apurada com fonte primária.
- Data exata das postagens de Rivlin e da nota do Yad Vashem (abril de 2019) não conferida no original.
Pendências de apuração (visível só na prévia)
- Localizar em gov.il os comunicados do gabinete do primeiro-ministro de 28/12/2018, 01/01/2019, 31/03–02/04/2019 e 15/12/2019.
- Localizar no portal do Itamaraty a declaração conjunta e a nota de 31/03/2019.
- Confirmar na Apex-Brasil a situação atual do escritório de Jerusalém.
- Conferir as postagens de Reuven Rivlin (Twitter, abril de 2019) e a nota do Yad Vashem.
Histórico de atualizações
- — Criação do registro (pesquisa assistida; aguarda revisão humana de fontes). Dossiê separado do do governo Trump por decisão do responsável.
- — Foto do evento acrescentada, escolhida pelo responsável (acervo oficial, licença CC BY 2.0).

