Personagem · rede de relações
Ricardo de Aquino Salles
Advogado. Ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro de 1º/01/2019 a 23/06/2021, quando pediu exoneração cinco semanas após ser alvo da Operação Akuanduba da PF. Deputado federal por São Paulo (filiado ao Novo segundo reportagem de set/2025). Réu no STF em ação sobre facilitação de contrabando de produtos florestais, ainda sem julgamento.
Esta ficha documenta separadamente (A) o envolvimento criminal registrado e (B) a relação com integrantes da família. Uma relação documentada não demonstra, por si só, conhecimento ou participação em crimes.
A. Envolvimento criminal e situação processual
- Réu (denúncia recebida)
Réu no STF, com outras pessoas, na AP 2705 (reautuação da Pet 8.975, origem da Operação Akuanduba de 19/05/2021), por crimes atribuídos pela acusação como dificultar a fiscalização ambiental, organização criminosa, contrabando ou descaminho e patrocínio de interesse privado perante a administração, ligados à exportação de madeira em 2019–2020.
- Agência Brasil (EBC)ficha§1: Salles "é um dos alvos da Operação Akuanduba"; Petição nº 8.975
- Gazeta do Povoficha§1 e §4: crimes atribuídos; decisão de 04/09/2025
- primáriaPortal do STF — consulta processualficha29/08/2025: "Reautuação do processo: Pet / 8975"; 15/06/2026: "ENCERRADA A INSTRUÇÃO"; 13/10/2026: intimação para alegações finais
B. Relação com a família
Jair Bolsonaro — Nomeação ou trabalho em gabinete/governo
Jair Bolsonaro nomeou Salles ministro do Meio Ambiente por decreto de 1º/01/2019 (DOU, edição especial) e assinou sua exoneração a pedido por decreto de 23/06/2021 (DOU, edição extra).
- primáriaDiário Oficial da União (Imprensa Nacional)fichadecreto de 1º/01/2019
- Agência Brasil (EBC)ficha§1
- primáriaDiário Oficial da União (Imprensa Nacional)fichadecretos de 23/06/2021
- Agência Brasil (EBC)ficha§1: "A exoneração, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro"
O que os documentos permitem concluir
- Salles foi nomeado ministro do Meio Ambiente por Jair Bolsonaro no primeiro dia do governo.
- Permaneceu no cargo cerca de cinco semanas depois de ser alvo de busca e apreensão da PF autorizada pelo STF (19/05/2021) e saiu a pedido em 23/06/2021, com exoneração assinada por Bolsonaro.
- É réu no STF, sem julgamento; não tem condenação nesse caso.
O que não foi demonstrado
- Não há, nas fontes lidas, imputação de participação de Jair Bolsonaro ou filhos nos fatos da ação contra Salles.
- A culpa de Salles não foi estabelecida: a ação está em andamento.
Cargos e mandatos
Deputado federal (SP) — Câmara dos Deputados (Novo (em set/2025))
- Gazeta do Povoficha§1: "o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP)"
Ministro de Estado do Meio Ambiente — Ministério do Meio Ambiente
- primáriaDiário Oficial da União (Imprensa Nacional)fichatrecho: "para exercer o cargo de Ministro de Estado do Meio Ambiente"; assinado por Jair Messias Bolsonaro
- primáriaDiário Oficial da União (Imprensa Nacional)fichatrecho: "EXONERAR, a pedido, RICARDO DE AQUINO SALLES"
Escândalos: dossiês relacionados
Entre 2019 e 2022, Jair Bolsonaro defendeu publicamente a mineração e o garimpo em terras indígenas, recebeu garimpeiros diante do Planalto e do Alvorada e, em 2021, visitou uma área de garimpo na TI Raposa Serra do Sol. O governo enviou ao Congresso o PL 191/2020, que admitia a lavra garimpeira em terras indígenas (apresentado em 06/02/2020; urgência aprovada pela Câmara em 09/03/2022, com voto favorável de Eduardo Bolsonaro; retirado a pedido do governo seguinte em 2023), e Jair assinou em 11/02/2022 o decreto do programa de apoio à "mineração artesanal e em pequena escala", revogado em 01/01/2023. O STF determinou repetidas vezes, na ADPF 709, a proteção dos Yanomami e a retirada de garimpeiros. Em janeiro de 2023 o Ministério da Saúde declarou emergência em saúde pública pela "desassistência" aos Yanomami, a PF abriu inquérito para apurar possível genocídio e o ministro Barroso mandou apurar a possível participação de autoridades do governo Bolsonaro; até as fontes lidas, não há acusação formal. Bolsonaro chamou as críticas de "farsa da esquerda".
Cronologia
13 jan. 2024 — Segundo o Metrópoles, o inquérito da PF sobre suspeita de genocídio contra os Yanomami estava perto de completar um ano sem conclusão; a PF não comentou. Suspeita sob investigação
- Metrópolesficha1º parágrafo: "vai completar um ano sem ter sido concluído"
10 nov. 2023 — O STF determina que a União apresente, em 60 dias, novo plano contra a invasão de sete terras indígenas; a situação Yanomami segue descrita como grave. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalfichatítulo e 1º parágrafo
31 mar. 2023 — O Poder Executivo pede a retirada do PL 191/2020 (Mensagem nº 107/2023, com exposição de motivos do ministro da Justiça); a Câmara registra a retirada em 29/05/2023. Fato documentado
- primáriaDados Abertos da Câmara dos Deputadosfichatramitações de 31/03/2023 17:49 ("Mensagem de Retirada de proposição n. 107/2023") e 29/05/2023 ("Retirado o PL n. 191/2020, em razão do deferimento da MSC 107/2023")
30 jan. 2023 — Em despacho na Pet 9585 (sigilosa), Barroso determina que a PGR, o Ministério Público Militar, o Ministério da Justiça e a PF em Roraima apurem "a possível participação de autoridades do governo Jair Bolsonaro na prática, em tese, dos crimes de genocídio, desobediência, quebra de segredo de justiça" e de delitos ambientais; na ADPF 709, reitera a ordem de retirada dos garimpos ilegais de sete terras indígenas, entre elas a Yanomami. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federalficha§§ 1–2 e seção "Garimpo ilegal"
25 jan. 2023 — A PF instaura inquérito, sob segredo de justiça, na Superintendência de Roraima, para apurar possível genocídio, omissão de socorro e crimes ambientais contra os Yanomami, segundo a Agência Brasil. Suspeita sob investigação
- Agência Brasilficha1º e 2º parágrafos
23 jan. 2023 — A 6ª Câmara do MPF publica nota sobre a TI Yanomami relatando ações e recomendações desde 2017 e o "crescimento alarmante do número de garimpeiros", estimado pela Hutukara Associação Yanomami em mais de 20 mil. Em janeiro de 2023 (a data do ofício não consta da cópia lida), o ministro da Justiça pediu à PF, pelo Ofício nº 85/2023/GM/MJ, inquérito sobre os fatos. Fato documentado
- primáriaMPFfichatrecho: "estimado em mais de 20 mil pela Hutukara Associação Yanomami"; menção à "ACP 1001973-17.2020.4.01.4200"; fecho: "Brasília, 23 de janeiro de 2023"
- Poder360 (hospedagem do PDF)fichatrecho: "possível desmonte intencional contra os indígenas Yanomami ou genocídio"
20 jan. 2023 — O Ministério da Saúde declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) "em decorrência de desassistência à população Yanomami" e cria o COE-Yanomami (Portaria GM/MS nº 28). Fato documentado
- primáriaDiário Oficial da União, Seção 1 — Extra D, edição 15-D, p. 1fichaementa e arts. 1º e 2º; "Publicado em: 20/01/2023 | Edição: 15-D | Seção: 1 - Extra D | Página: 1"
1 jan. 2023 — O Decreto nº 11.369, assinado pelo presidente Lula e pela ministra Marina Silva, revoga o Decreto nº 10.966/2022 (Pró-Mape). Fato documentado
- primáriaPlanalto — Legislaçãofichaart. 1º: "Fica revogado o Decreto nº 10.966, de 11 de fevereiro de 2022"; "publicado no DOU de 2.1.2023 - Edição extra"
Respostas e contestações
- Resposta pública
5 set. 2025: Salles afirmou que "não há nada de novo" e que o processo já tramitava na 1ª instância; em 2021, ao deixar o ministério, falou em "criminalização" de opiniões divergentes sobre a questão ambiental.
- Gazeta do Povoficha§ "Ricardo Salles rebateu a decisão afirmando que \"não há nada de novo\""
- Agência Brasil (EBC)ficha§3: processo de "criminalização"
Lacunas e limitações
- Andamento posterior às alegações finais (julgamento) ainda não ocorrido em 14/10/2026.
- Relação política posterior com a família (filiação ao PL e saída) não documentada nesta rodada.
- Início do mandato de deputado e partido de eleição não verificados em fonte oficial.