Escândalo · Gabinetes, assessores e remunerações
Suspeita de "rachadinha" e de funcionários fantasmas no gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio: sete ex-assessores réus; investigação sobre o vereador reaberta
O MPRJ investiga desde 2019 o gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, depois de reportagens sobre servidores que não trabalhariam no gabinete, entre eles parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e Assessora-Chefe do gabinete de 2001 a 2008 (Diário da Câmara Municipal). Em 2021 a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Carlos, de Ana Cristina e de outras pessoas. Em setembro de 2024 a 3ª Promotoria arquivou a investigação quanto ao vereador e denunciou sete ex-assessores, entre eles o chefe de gabinete, Jorge Luiz Fernandes, por organização criminosa e peculato (fatos de 2005 a 2021). Em fevereiro de 2026 o arquivamento quanto a Carlos foi rejeitado na própria instituição e a investigação foi retomada; em junho de 2026, segundo reportagens, a denúncia contra os sete foi recebida. Não há sentença. Carlos Bolsonaro não é réu e nega irregularidades (ver Respostas). Vínculo profissional com o gabinete não demonstra irregularidade.
Este dossiê está em revisão de fontes. As fontes foram reunidas por pesquisa assistida e ainda precisam ser conferidas por um editor antes da publicação.
Pessoas e instituições envolvidas

Ana Cristina Siqueira Valle
Contexto
O termo 'rachadinha' designa a suspeita de que servidores comissionados devolvam parte dos salários. Neste caso, a denúncia de 2024 trata de repasses de seis assessores ao chefe de gabinete entre 2005 e 2021; a investigação sobre o vereador, que também apura a suspeita de funcionários que não trabalhavam no gabinete, foi arquivada em 2024 e retomada em 2026. **Recebimento de denúncia** é juízo de admissibilidade: abre a ação penal, não decide culpa. **Arquivamento** não prova que os fatos não ocorreram, e sua revisão não é acusação. Os outros seis réus e os parentes de Ana Cristina citados pela imprensa são pessoas privadas: aparecem aqui só pela função. O levantamento interno de nomeações e exonerações do gabinete (2001–2025) está em docs/lote6p/gabinetes/.
Cronologia
Início do primeiro mandato de Carlos Bolsonaro. O Diário da Câmara Municipal de 04/01/2001 publica a nomeação de Ana Cristina Siqueira Valle Mendes como Assessora-Chefe (DAS-10A) e de Jorge Luiz Fernandes como Assistente I (DAS-6) no gabinete, a partir de 01/01/2001. Fato documentado
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 12: Res. "P" nº 386, "NOMEAR ANA CRISTINA SIQUEIRA VALLE MENDES [...] Cargo em Comissão de Assessor Chefe símbolo DAS 10A do Gabinete do Vereador Carlos Bolsonaro com validade a partir de 01 de janeiro de 2001"
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 12: Res. "P" nº 392, "NOMEAR JORGE LUIZ FERNANDES, para exercer o Cargo em Comissão de Assistente I, símbolo DAS-6, no Gabinete do Vereador Carlos Bolsonaro, com validade a partir de 01 de janeiro de 2001"
Ofício da Presidência da Câmara responde a mensagem de 'Jorge Luiz Fernandes, Chefe de Gabinete do GVCB' (gabinete do vereador Carlos Bolsonaro). Fato documentado
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 9: Ofício nº 2.315/GP/SALP, de 10/08/2006: "Solicitação Mensagem eletrônica de 26.6.2006 Jorge Luiz Fernandes, Chefe de Gabinete do GVCB. Vereador: CARLOS BOLSONARO"
Ana Cristina Siqueira Valle é exonerada do cargo de Assessora-Chefe do gabinete (DCM de 03/04/2008). Fato documentado
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 25: Res. "P" nº 294, "EXONERAR ANA CRISTINA SIQUEIRA VALLE [...] do Cargo em Comissão de Assessor-Chefe, símbolo DAS-10A, no Gabinete do Vereador Carlos Bolsonaro, com validade a partir de 1º de abril de 2008"
O MPRJ abre investigação sobre o gabinete, depois de reportagens sobre servidores que não trabalhariam nele, entre eles parentes de Ana Cristina Valle (junho de 2019, segundo a Folhapress). Suspeita sob investigação
- Jornal do Brasilfichatrechos: investigação aberta em junho de 2019; quebra de sigilo autorizada em maio pela 1ª Vara Criminal Especializada; quatro ex-servidores parentes de Ana Cristina Valle (Gilmar Marques, 2001–2008; André Luís Procópio, 2001–2008; Andrea Siqueira Valle, 2006–2008; Marta da Silva Valle, 2001–2009); reação de Carlos: "fatos requentados"
A 1ª Vara Criminal Especializada autoriza a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Carlos Bolsonaro, de Ana Cristina Siqueira Valle e de outras pessoas e empresas, segundo reportagens de setembro de 2021. Carlos chamou a apuração de 'fatos requentados'. Decisão judicial
- Jornal do Brasilfichatrechos: investigação aberta em junho de 2019; quebra de sigilo autorizada em maio pela 1ª Vara Criminal Especializada; quatro ex-servidores parentes de Ana Cristina Valle (Gilmar Marques, 2001–2008; André Luís Procópio, 2001–2008; Andrea Siqueira Valle, 2006–2008; Marta da Silva Valle, 2001–2009); reação de Carlos: "fatos requentados"
- CartaCapitalfichatrechos: quebra dos sigilos bancário e fiscal de Carlos Bolsonaro "e outras 26 pessoas"; Ana Cristina Siqueira Valle, ex-funcionária do gabinete, e a irmã Andrea Valle entre os alvos; suspeita de peculato com nomeação de "fantasmas"
A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada arquiva a investigação quanto ao vereador e denuncia sete ex-assessores, apontando o chefe de gabinete como líder; fatos de 2005 a 2021; pelo menos R$ 1,7 milhão. Denúncia oferecida
- Agência Brasilfichatrechos: 3ª Promotoria "ofereceu denúncia, no dia 5 deste mês"; "Jorge Luiz Fernandes, que exercia o cargo de chefe de gabinete do vereador"; "entre os anos de 2005 e 2021"; "pelo menos R$ 1,7 milhão"
- Poder360fichalista dos sete denunciados (Jorge Luiz Fernandes, Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, Alexander Florindo Baptista Junior, Thiago Medeiros da Silva, José Francisco dos Santos, Andrea Cristina da Cruz Martins, Regina Célia Sobral Fernandes); arquivamento quanto ao vereador; 1ª Vara Criminal Especializada
A 1ª Vara Criminal Especializada devolve a denúncia ao MP e pede esclarecimentos, inclusive sobre o arquivamento quanto ao vereador (Diário do Nordeste, com base no g1). Decisão judicial
- Diário do Nordestefichaparáfrase: decisão de quinta-feira (12/09/2024) da 1ª Vara Criminal Especializada devolve o caso ao MP; aponta "inconsistência na denúncia", falta de fundamentos para o arquivamento e imprecisão na tipificação de organização criminosa; o juiz vê "contradição" no arquivamento quanto ao vereador
Carlos Bolsonaro comunica a renúncia ao mandato de vereador (Ofício GVC nº 037/2025), encerrando o gabinete; a suplente toma posse em 16/12/2025. Fato documentado
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 4: "Em 12/12/2025, o Vereador Carlos Bolsonaro comunica pelo Ofício GVC nº 037 /2025 sua renúncia, pub. DCM de 15/12/2025, pág. 11. Em 16/12/2025, a Vereadora Alana Passos tomou posse"
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 11: carta de renúncia ao mandato "em razão de mudança de domicílio eleitoral"
O subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária rejeita o arquivamento quanto a Carlos, por considerá-lo prematuro, e manda prosseguir a investigação na 4ª Promotoria de Investigação Penal Especializada (Poder360). Suspeita sob investigação
- Poder360fichatrechos: decisão de 9 de fevereiro do subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária, Marcelo Pereira Marques, que "rejeitou o arquivamento" por considerá-lo "prematuro"; remessa à 4ª Promotoria de Investigação Penal Especializada; "Carlos e outros 25 funcionários", entre eles Ana Cristina Siqueira Valle e Jorge Luiz Fernandes
O juiz da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa recebe a denúncia contra os sete ex-assessores, que passam a réus por organização criminosa e peculato (data segundo a Revista Fórum). Denúncia recebida
- Revista Fórumfichatrechos: decisão "nesta sexta-feira (19)" do juiz da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa; réus por organização criminosa e peculato; Jorge Luiz Fernandes e seis ex-assessores; junho de 2005 a dezembro de 2021; R$ 1,9 milhão
- Correio da Manhãfichatrechos: juiz Marcello Rubioli; "a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada"; Jorge Luiz Fernandes "nomeado em 2001"; Carlos Bolsonaro não acusado
- Diario de Pernambucofichatrechos: Jorge Luiz Fernandes, "ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro", e seis ex-assessores tornaram-se réus; organização criminosa e peculato; 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa; investigação sobre Carlos em andamento
O que está documentado
- Fato documentado
Jorge Luiz Fernandes foi nomeado para o gabinete de Carlos Bolsonaro em 01/01/2001 e aparece como chefe de gabinete em ofício oficial de 2006.
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 12: Res. "P" nº 392, "NOMEAR JORGE LUIZ FERNANDES, para exercer o Cargo em Comissão de Assistente I, símbolo DAS-6, no Gabinete do Vereador Carlos Bolsonaro, com validade a partir de 01 de janeiro de 2001"
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 9: Ofício nº 2.315/GP/SALP, de 10/08/2006: "Solicitação Mensagem eletrônica de 26.6.2006 Jorge Luiz Fernandes, Chefe de Gabinete do GVCB. Vereador: CARLOS BOLSONARO"
- Fato documentado
Ana Cristina Siqueira Valle foi Assessora-Chefe do gabinete de 01/01/2001 a 01/04/2008.
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 12: Res. "P" nº 386, "NOMEAR ANA CRISTINA SIQUEIRA VALLE MENDES [...] Cargo em Comissão de Assessor Chefe símbolo DAS 10A do Gabinete do Vereador Carlos Bolsonaro com validade a partir de 01 de janeiro de 2001"
- primáriaDCM-RJ (dcmdigital.camara.rj.gov.br)fichap. 25: Res. "P" nº 294, "EXONERAR ANA CRISTINA SIQUEIRA VALLE [...] do Cargo em Comissão de Assessor-Chefe, símbolo DAS-10A, no Gabinete do Vereador Carlos Bolsonaro, com validade a partir de 1º de abril de 2008"
- Alegação atribuída
Segundo a Folhapress, com base em autos do MPRJ, quatro parentes de Ana Cristina Valle (ex-cunhado, irmão, irmã e cunhada) estiveram lotados no gabinete em períodos entre 2001 e 2009 e moravam fora do Rio; o MP os tratou como possíveis funcionários fantasmas. As nomeações aparecem no Diário da Câmara Municipal (levantamento interno); o parentesco só está nas reportagens.
- Jornal do Brasilfichatrechos: investigação aberta em junho de 2019; quebra de sigilo autorizada em maio pela 1ª Vara Criminal Especializada; quatro ex-servidores parentes de Ana Cristina Valle (Gilmar Marques, 2001–2008; André Luís Procópio, 2001–2008; Andrea Siqueira Valle, 2006–2008; Marta da Silva Valle, 2001–2009); reação de Carlos: "fatos requentados"
- Denúncia recebida
Sete ex-assessores do gabinete, entre eles o ex-chefe de gabinete, são réus por organização criminosa e peculato desde junho de 2026, segundo reportagens; não há sentença.
- Revista Fórumfichatrechos: decisão "nesta sexta-feira (19)" do juiz da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa; réus por organização criminosa e peculato; Jorge Luiz Fernandes e seis ex-assessores; junho de 2005 a dezembro de 2021; R$ 1,9 milhão
- Correio da Manhãfichatrechos: juiz Marcello Rubioli; "a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada"; Jorge Luiz Fernandes "nomeado em 2001"; Carlos Bolsonaro não acusado
- Diario de Pernambucofichatrechos: Jorge Luiz Fernandes, "ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro", e seis ex-assessores tornaram-se réus; organização criminosa e peculato; 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa; investigação sobre Carlos em andamento
- Arquivamento
Carlos Bolsonaro não foi denunciado: a investigação quanto a ele foi arquivada em setembro de 2024 e reaberta em fevereiro de 2026, e segue em andamento.
- Agência Brasilfichatrechos: 3ª Promotoria "ofereceu denúncia, no dia 5 deste mês"; "Jorge Luiz Fernandes, que exercia o cargo de chefe de gabinete do vereador"; "entre os anos de 2005 e 2021"; "pelo menos R$ 1,7 milhão"
- Poder360fichatrechos: decisão de 9 de fevereiro do subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária, Marcelo Pereira Marques, que "rejeitou o arquivamento" por considerá-lo "prematuro"; remessa à 4ª Promotoria de Investigação Penal Especializada; "Carlos e outros 25 funcionários", entre eles Ana Cristina Siqueira Valle e Jorge Luiz Fernandes
Respostas dos envolvidos
- Resposta pública
Carlos Nantes Bolsonaro, 11 set. 2024: Recebeu o arquivamento com 'tranquilidade', manifestou 'indignação' com a denúncia contra ex-funcionários, disse que a acusação se baseia em movimentações financeiras entre familiares, criticou a proximidade da eleição e afirmou ter 'absoluta certeza' de que os envolvidos demonstrarão a fragilidade da acusação.
- Resposta pública
Carlos Nantes Bolsonaro, 1 set. 2021: Sobre a quebra de sigilo, chamou a apuração de 'fatos requentados' e disse que, 'na falta de fatos novos', recorrem a fatos antigos.
- Jornal do Brasilfichatrechos: investigação aberta em junho de 2019; quebra de sigilo autorizada em maio pela 1ª Vara Criminal Especializada; quatro ex-servidores parentes de Ana Cristina Valle (Gilmar Marques, 2001–2008; André Luís Procópio, 2001–2008; Andrea Siqueira Valle, 2006–2008; Marta da Silva Valle, 2001–2009); reação de Carlos: "fatos requentados"
- Resposta não localizada na pesquisa
Jorge Luiz Fernandes, 14 out. 2026: Manifestação da defesa dos réus não localizada nas fontes lidas.
Situação dos procedimentos
Investigação do MPRJ sobre o gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio (suspeita de 'rachadinha' e de funcionários fantasmas) — arquivada quanto ao vereador em 2024 e reaberta em 2026
Em andamento, sob sigilo: reaberta em fevereiro de 2026 e remetida à 4ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, segundo o Poder360 (25/02/2026). Número do procedimento não localizado. Nenhuma denúncia contra Carlos Bolsonaro até 14/10/2026 nas fontes lidas.
- Carlos Nantes Bolsonaro Investigado
- Ana Cristina Siqueira Valle Investigado
- Jorge Luiz Fernandes Réu (denúncia recebida)
Ação penal do MPRJ contra sete ex-assessores do gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio (organização criminosa e peculato) — 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa da Capital
Denúncia recebida em junho de 2026 contra sete ex-assessores (o ex-chefe de gabinete e outros seis), segundo reportagens; os réus foram intimados a apresentar defesa escrita. Sem sentença. Número do processo não localizado; a consulta processual do TJRJ tem reCAPTCHA e não foi usada. Os outros seis réus são pessoas privadas e aparecem no acervo só pela função (lista nominal na matriz interna).
- Jorge Luiz Fernandes Réu (denúncia recebida)
- Carlos Nantes Bolsonaro Sem procedimento
Limitações e questões em aberto
- Denúncia de 2024, decisão de recebimento de 2026 e número do processo: não lidos (consulta do TJRJ com reCAPTCHA; processo e investigação com sigilo).
- Decisão de 2021 que autorizou a quebra de sigilo e lista oficial de investigados.
- Situação individual de Ana Cristina Siqueira Valle e dos parentes dela depois do arquivamento de 2024 e da reabertura de 2026.
- DCM de outubro de 2017 a junho de 2018 sem texto pesquisável (imagens): atos desse período não levantados.
- Reportagem original da Época (2019) sobre os parentes de Ana Cristina não lida.
Pendências de apuração (visível só na prévia)
- Confirmar no TJRJ (sem contornar o reCAPTCHA, por consulta assistida pelo responsável) número, data e teor do recebimento da denúncia.
- Acompanhar a investigação reaberta em 2026 (4ª Promotoria).
Histórico de atualizações
- — Criação do registro (lote 6, pendências §3 — gabinetes, conclusão; pesquisa assistida; aguarda revisão humana de fontes).