Checagem · Pandemia, saúde pública e vacinação
Na Câmara, em fevereiro de 2021, Eduardo Bolsonaro disse que a CoronaVac foi anunciada com 78% de eficácia "quando na verdade só tem 50%"; os dois índices vêm do mesmo ensaio e medem desfechos diferentes
Registro em revisão de fontes; não publicado.
Enganoso
É verdade que o governo de São Paulo divulgou primeiro os 78%, sem a eficácia global, e que o índice geral, de cerca de 50%, só foi divulgado cinco dias depois. Mas os 78% não foram desmentidos. Os dois números vêm do mesmo ensaio e medem coisas diferentes: 78% para casos leves que precisaram de atendimento e cerca de 50% para todos os casos sintomáticos, incluindo os muito leves. O comunicado de 12/01/2021 manteve os 78%. A frase "quando na verdade só tem 50%" apresenta os índices como se um corrigisse o outro e leva à conclusão errada de que o primeiro era falso.
A afirmação
“não fomos nós que falamos inicialmente que a vacina teria 78% de eficácia, quando na verdade só tem 50%”
Contexto
O deputado criticava o governador de São Paulo, João Doria, cujo governo anunciou os resultados do ensaio clínico da CoronaVac com o Instituto Butantan em janeiro de 2021.
O que foi verificado
A eficácia de 78% anunciada inicialmente para a CoronaVac foi desmentida pelo resultado de cerca de 50%?
Método
Leitura dos comunicados do Instituto Butantan de 07/01/2021 e 12/01/2021 e do voto da relatora na Anvisa que autorizou o uso emergencial em 17/01/2021. O artigo científico do ensaio não foi lido.
Achados
- Fato documentado
Em 07/01/2021, o Butantan e o governo paulista anunciaram eficácia de 100% para casos moderados e graves e de 78% "para os infectados que apresentaram casos leves ou precisaram de atendimento ambulatorial". O governador disse que a vacina "tem eficácia de 78% a 100% contra a COVID-19". O comunicado não informava a eficácia global.
- primáriaInstituto Butantan — Notíciasficha§§ 1–4
- Fato documentado
Em 12/01/2021, o Butantan informou eficácia global de 50,38%, além de 78% em casos leves e 100% em moderados e graves, todos do mesmo estudo. O valor de 77,96% correspondia aos casos leves "em pacientes que precisaram receber alguma assistência" (escore 3); a menor taxa vinha dos casos "muito leves" (escore 2).
- primáriaInstituto Butantan — Notíciasficha§§ 1 e 5–7
- Fato documentado
Em 17/01/2021, o voto da relatora na Anvisa registrou eficácia de 50,39% a partir de 15 dias após a segunda dose e concluiu que o resultado atendia aos critérios do Guia 42/2020 e às diretrizes da OMS para vacinas contra a covid-19.
- primáriaAnvisa — gov.br/anvisa (campanha coronavírus, vacinas)fichap. 5 (eficácia de 50,39%) e p. 6 (eficácia global de 50,39 %)
Limitações
O artigo científico do ensaio clínico não foi lido. Os números vêm dos comunicados do Butantan e do voto da Anvisa. As duas páginas do Butantan informam publicação em 14/01/2021, embora os textos abram com as datas de 07/01 e 12/01/2021.
Resposta do autor
- Resposta não localizada na pesquisa
Não se localizou manifestação de Eduardo Bolsonaro sobre o tema. Foram revistos os resumos das falas dele no plenário da Câmara em 2020–2022 (API de Dados Abertos). Nenhum pedido de manifestação foi enviado.