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  • Foto de Jair Bolsonaro
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  • Foto de Rogéria Bolsonaro
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  • Foto de Randolfe Rodrigues

Escândalo · Patrimônio, presentes oficiais e conflitos de interesse

Imóveis da família Bolsonaro pagos com dinheiro vivo

Em 30/08/2022, em plena campanha, o UOL publicou levantamento dos repórteres Thiago Herdy e Juliana Dal Piva em escrituras e certidões de cartório: desde os anos 1990, Jair Bolsonaro, irmãos, os três filhos mais velhos, a mãe e duas ex-mulheres negociaram 107 imóveis, dos quais pelo menos 51 foram pagos total ou parcialmente em dinheiro em espécie, num total de R$ 13,5 milhões (R$ 25,6 milhões corrigidos pelo IPCA). Bolsonaro reagiu perguntando “qual é o problema” de comprar imóvel com dinheiro vivo e, dias depois, passou a dizer que a expressão “moeda corrente” das escrituras não indica dinheiro vivo — ponto em que entidades de cartórios lhe deram razão em parte e o UOL e a agência Aos Fatos o contestaram. Um desembargador do TJDFT mandou retirar as reportagens do ar a pedido de Flávio Bolsonaro; o ministro André Mendonça (STF) derrubou a ordem no dia seguinte. O mesmo ministro negou, em 2022, o pedido do senador Randolfe Rodrigues para investigar a família e arquivou, em 2023, pedido semelhante do deputado Reginaldo Lopes, por falta de justa causa. Comprar imóvel em dinheiro não é crime; ninguém foi denunciado por essas compras.

Período: 1996 – 20 nov. 2023 ·

O caso num quadro

Sem condenação criminal Levantamento do UOL aponta 51 imóveis da família pagos ao menos em parte em dinheiro vivo; o STF negou os pedidos de investigação e ninguém foi denunciado. Pagar em dinheiro não é crime em si.

Toque em + para ampliar e arraste para ver os detalhes.

Montagem gráfica do acervo, não é documento. Pessoas, processos e fios vêm do dossiê, onde cada relação tem fonte. Fio vermelho: condenado · laranja: réu ou denunciado · amarelo: investigado ou indiciado (não é acusação nem culpa) · cinza tracejado: arquivado, absolvido, anulado ou outra situação. Rostos: foto pública quando há (crédito na ficha); senão, caricatura gerada por IA.

Pessoas e instituições envolvidas

Partido: última filiação documentada em fonte oficial (TSE, Câmara, Senado), com as anteriores ao lado. Filiação partidária não indica participação nos fatos.

  • Foto de Jair Bolsonaro

    PDCPPRPPBPTBPFLPPPSCPSLsem partidoPL

    Jair Bolsonaro

    presidente e candidato à reeleição em 2022; comprou cinco imóveis com pagamento em dinheiro vivo ao longo da carreira política, segundo o UOL; contesta a leitura das escrituras; nenhum pedido de investigação sobre o tema foi aceito

    candidato à reeleição para presidente pelo PL em 2022, não eleito (TSE); filiação posterior não conferida em fonte oficial depois de 2022

  • Foto de Flávio Bolsonaro

    PPBPPPSCPSLsem partidoPATRIOTAPL

    Flávio Bolsonaro

    senador; parte de seus imóveis no Rio aparece na investigação da “rachadinha” na Alerj, cujas provas foram anuladas pelo STJ; pediu e obteve no TJDFT a retirada temporária das reportagens do UOL

    senador (RJ), mandato 2019–2027; candidato a presidente da República pelo PL em 2026 (TSE)

  • Foto de Carlos Bolsonaro

    PPBPTBPPPSCREPUBLICANOSPL

    Carlos Bolsonaro

    vereador no Rio; apartamento comprado em 2003 com pagamento em dinheiro, admitido pela defesa, segundo o UOL

    reeleito vereador do Rio pelo PL em 2024; eleito senador (SC) pelo PL em 2026 (TSE)

  • Foto de Eduardo Bolsonaro

    PSCPSLUNIÃOPL

    Eduardo Bolsonaro

    deputado federal; dois apartamentos no Rio com parcelas pagas em espécie, segundo escrituras citadas pelo UOL; uma investigação de 2021 sobre uma dessas compras foi arquivada, segundo o Estadão

    deputado federal (SP) pelo PL, reeleito em 2022 (TSE); mandato perdido por ato da Mesa em 18/12/2025 (Câmara); filiação posterior não conferida em fonte oficial

  • Foto de Rogéria Bolsonaro

    PPBPMDBREPUBLICANOSPL

    Rogéria Bolsonaro

    primeira ex-mulher de Jair; apartamento comprado em 1996 descrito na escritura como pago em moeda “contada e achada certa”, segundo o UOL

    candidata a deputada federal (RJ) pelo PL em 2026, suplente (TSE)

  • Foto de Cristina Bolsonaro

    PPBPODEPP

    Cristina Bolsonaro

    segunda ex-mulher de Jair; imóveis em Resende e no Rio comprados com Jair ou em seu nome com pagamento em dinheiro, segundo o UOL; negou relato de pagamentos em espécie numa casa na Barra da Tijuca

    candidata a deputada distrital (DF) pelo PP em 2022, suplente (TSE); filiação posterior não conferida

  • Foto de Randolfe Rodrigues

    REDEPT

    Randolfe Rodrigues

    senador (Rede-AP), líder da oposição em 2022; pediu ao STF a investigação das compras e o bloqueio de bens; o pedido foi negado

    senador (AP), mandato 2019–2027

Instituições: Supremo Tribunal Federal · Procuradoria-Geral da República · Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios · Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro · Superior Tribunal de Justiça · Colégio Notarial do Brasil · Anoreg-SP

Contexto

A compra de imóvel com dinheiro em espécie é legal no Brasil. Desde 2020, por norma da Corregedoria Nacional de Justiça, cartórios comunicam ao Coaf transações em espécie; as compras do levantamento são anteriores (a última em dinheiro, segundo o UOL, foi em 2018). O interesse público do caso está no volume de pagamentos em espécie num patrimônio formado durante mandatos públicos e no cruzamento com a investigação da “rachadinha” na Alerj, na qual o MP-RJ sustentou que dinheiro recolhido de assessores foi usado em compras de imóveis — acusação cujas provas principais o STJ anulou. O levantamento foi publicado durante a campanha de 2022, ponto destacado pelo ministro André Mendonça ao negar os pedidos de investigação. A forma de pagamento foi inferida das escrituras, e a leitura da expressão “moeda corrente nacional” é contestada: entidades de cartórios dizem que ela, sozinha, não prova pagamento em espécie; o UOL diz ter usado também expressões mais precisas (“contada e achada certa”, “em espécie”), regras de cartório de SP e do RJ, entrevistas com vendedores e dados das investigações. Fontes de linhas editoriais distintas: UOL, Folha (via A Gazeta), Metrópoles, Correio Braziliense, Poder360, Gazeta do Povo, Migalhas, SBT News, Estadão (via Jornal de Brasília e Itatiaia), a agência de checagem Aos Fatos e a nota de entidades de cartórios (via IRIB).

Cronologia

  1. Rogéria Bolsonaro compra um apartamento na Tijuca (Rio) por R$ 95 mil; a escritura registra pagamento em “moeda corrente devidamente conferida, e digo, contada e achada certa e examinada pelos vendedores”, segundo o UOL. Fato documentado

  2. Carlos Bolsonaro compra um apartamento na Tijuca por R$ 150 mil; a escritura registra pagamento em “moeda corrente do país, contada e achada certa”. Segundo o UOL, a defesa dele admitiu o pagamento em dinheiro e disse que Carlos tinha recursos para a operação. Fato documentado

  3. Jair Bolsonaro e Ana Cristina Valle compram de um irmão de Jair, por R$ 40 mil, a casa em Bento Ribeiro (Rio) onde funciona o escritório político de Jair; a escritura registra pagamento em “moeda corrente do país contada e achada certa”, segundo o UOL. Fato documentado

    • primáriaUOLfichaitem “Imóvel 23”
    • primáriaUOLfichaseção “Bento Ribeiro”
  4. É registrada a compra, por Flávio Bolsonaro, de 12 salas comerciais na Barra da Tijuca (R$ 2,6 milhões). Segundo o UOL, Flávio admitiu em depoimento ao MP-RJ ter usado R$ 86 mil em espécie para quitar parte do financiamento, valor que disse ter tomado emprestado do pai, do irmão Carlos e de assessores de Jair. Alegação atribuída

    • primáriaUOLfichaitem “Imóveis 5 a 16”
  5. Eduardo Bolsonaro compra um apartamento em Copacabana por R$ 160 mil; segundo a escritura citada pelo UOL, R$ 50 mil foram pagos “através de moeda corrente do país, tudo conferido, contado e achado certo”. O caso fora revelado pelo jornal O Globo em 2020. Fato documentado

  6. Eduardo Bolsonaro compra um apartamento em Botafogo por R$ 1 milhão; a escritura citada pelo UOL registra R$ 100 mil pagos “neste ato em moeda corrente do país, contada e achada certa”; a maior parte (R$ 800 mil) foi financiada pela Caixa. Fato documentado

  7. Em entrevista à Folha de S.Paulo sobre sua evolução patrimonial, Jair Bolsonaro descarta ter usado dinheiro vivo: “Levar em dinheiro e pagar? Geralmente é DOC. Levar em dinheiro não é o caso. Pode ser roubado.” Declaração registrada

  8. O UOL publica o levantamento: 107 imóveis negociados pela família desde os anos 1990, pelo menos 51 pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo, somando R$ 13,5 milhões (R$ 25,6 milhões corrigidos). No mesmo dia, Jair Bolsonaro pergunta: “Qual é o problema de comprar com dinheiro vivo algum imóvel…?” Fato documentado

  9. O Correio Braziliense (Agência Estado) noticia que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou no STF pedido de investigação das compras, com bloqueio de contas e busca e apreensão de celulares e computadores dos compradores. Fato documentado

  10. Em sabatina da Jovem Pan, Bolsonaro diz que o UOL confundiu “moeda corrente nacional” com “dinheiro vivo”: “[em] qualquer escritura está escrito moeda corrente”, segundo o UOL. Declaração registrada

    • primáriaUOLfichaparágrafo de abertura
    • primáriaIRIBfichaparágrafo sobre a sabatina da Jovem Pan
  11. O Colégio Notarial do Brasil e a Anoreg-SP, ouvidos pelo site O Antagonista, afirmam que “moeda corrente contada e achada certa” é termo padrão e que, por ele, não dá para afirmar o meio de pagamento; o presidente da Anoreg-SP diz que “onde está escrito moeda corrente, portanto, não é necessariamente dinheiro em espécie”. Declaração registrada

    • primáriaIRIBfichatrechos da Assessoria do CNB-BR e de George Takeda
  12. O UOL publica as evidências imóvel a imóvel e reafirma o levantamento: cita normas de cartórios de SP (provimento 58/1989) e do RJ (desde 1999) que exigem declarar se o pagamento foi em dinheiro ou cheque, expressões como “contada e achada certa” e “em espécie”, entrevistas com vendedores e dados das investigações do MP-RJ. Fato documentado

  13. Em entrevista a podcasters evangélicos, Bolsonaro repete que “moeda corrente” pode ser “dinheiro vivo, cheque, DOC”; no dia seguinte, a agência de checagem Aos Fatos afirmou que ele “mentiu” ao pôr em dúvida a informação do UOL, argumento que diz já ter sido desmentido por oficiais de cartório e corretores. Declaração registrada

  14. O desembargador Demetrius Gomes Cavalcanti, do TJDFT, atende a recurso da defesa de Flávio Bolsonaro e manda retirar do ar as reportagens do UOL, entendendo que usaram informações de investigação sigilosa anulada pelo STJ. Decisão judicial

  15. O ministro André Mendonça (STF), na Reclamação 55.991, derruba a decisão do TJDFT e permite que o UOL recoloque as duas reportagens no ar, citando a ADPF 130 (liberdade de imprensa). Decisão judicial

  16. Mendonça nega o pedido de Randolfe Rodrigues para investigar Bolsonaro e familiares: “não há elementos probatórios suficientes (justa causa)”, e a reportagem seria “um conjunto de ilações e conjecturas”. Decisão judicial

  17. Randolfe recorre (agravo interno) e pede que Mendonça reconsidere ou leve o caso ao plenário do STF, segundo o SBT News. Fato documentado

  18. É publicada no Diário de Justiça decisão de Mendonça que arquiva pedido do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para que o STF determinasse à PGR a abertura de inquérito sobre as compras, por falta de indícios. Segundo o Estadão, a PGR não tinha outras investigações sobre o episódio. Arquivamento

O que está documentado

  • Fato documentado · levantamento jornalístico em escrituras e certidões; documentos de cartório não lidos

    Segundo o UOL, de 107 imóveis negociados desde os anos 1990 por Jair Bolsonaro, irmãos, os três filhos mais velhos, a mãe e duas ex-mulheres, pelo menos 51 foram pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo (R$ 13,5 milhões; R$ 25,6 milhões corrigidos pelo IPCA). Em 30 imóveis o pagamento foi por cheque ou transferência (R$ 13,4 milhões) e em 26 a forma de pagamento não consta dos documentos (R$ 986 mil). Em 2022 a família seguia dona de 56 dos 107 imóveis. A reportagem consultou 1.105 páginas de 270 documentos de cartórios em 16 municípios, 14 deles em São Paulo.

    • primáriaUOLfichaparágrafos de abertura e seção “Patrimônio em expansão”
  • Alegação atribuída · divergência entre fontes sobre a leitura das escrituras

    A forma de pagamento foi inferida das escrituras e é contestada. O CNB e a Anoreg-SP dizem que “moeda corrente” não prova, por si, pagamento em espécie, e que até 2019 as escrituras raramente detalhavam a forma de pagamento. O UOL afirma que normas de cartório de SP (desde 1989) e do RJ (desde 1999) exigem declarar pagamento em dinheiro ou cheque, que várias escrituras usam “contada e achada certa” ou “em espécie” e que, na dúvida, excluiu da conta os 26 imóveis sem forma de pagamento descrita. A agência Aos Fatos concluiu que Bolsonaro “mentiu” ao dizer que os termos das escrituras não se referem a valores em espécie.

    • primáriaIRIBfichatrechos do CNB-BR e de George Takeda
    • primáriaUOLfichaparágrafos sobre o provimento 58/1989 e o Código de Normas do RJ
    • Aos Fatosfichatrecho checado
  • Suspeita sob investigação · relato de reportagem sobre investigações; autos não lidos

    Segundo o UOL, ao menos 25 dos imóveis foram comprados em situações que motivaram investigações do MP do Rio e do DF, não necessariamente com dinheiro vivo, e 17 compras são citadas na investigação do MP-RJ sobre a “rachadinha” nos gabinetes de Flávio e Carlos Bolsonaro. Flávio foi denunciado, mas o STJ anulou os dados financeiros e a investigação passou a ser refeita. Não há denúncia sobre as compras em si.

  • Fato documentado · levantamento jornalístico; relato de terceiro com negativa

    Segundo o UOL, Jair Bolsonaro adquiriu cinco imóveis ao longo da trajetória política com pagamento em dinheiro vivo, entre eles a casa de Bento Ribeiro e lotes em Resende comprados com Ana Cristina Valle. Na casa da Barra da Tijuca comprada em 2002 (R$ 500 mil na escritura, R$ 874,1 mil no valor de avaliação para imposto), um ex-funcionário de Ana Cristina relatou pagamentos em dinheiro vivo; ela negou.

    • primáriaUOLfichatrecho “Este é um dos cinco imóveis que Jair Bolsonaro adquiriu…”
    • primáriaUOLfichaitens “Imóvel 21” a “Imóvel 26”
  • Declaração registrada · comparação de declarações registradas

    Em 2018 Bolsonaro disse à Folha que não usava dinheiro vivo em compras (“Eu não guardo dinheiro no colchão em casa”); em 2022, após a reportagem, disse não ver problema na prática e depois passou a contestar que as escrituras indicassem dinheiro vivo.

  • Decisão judicial · trechos da decisão reproduzidos pela imprensa; decisão não lida

    Ao negar a investigação em 2022, Mendonça escreveu que, “especificamente em relação ao presidente da República, a reportagem não traz indicativo sequer de que tenha havido aquisição pessoal de imóvel”, e citou o “contexto político-eleitoral” da publicação. O levantamento do UOL, porém, lista imóveis comprados pelo próprio Jair; a decisão não foi lida para esclarecer a divergência.

    • Gazeta do Povofichatrechos da decisão sobre o presidente e o contexto político-eleitoral
    • primáriaUOLfichatrecho “Este é um dos cinco imóveis…”

Alegações e seus autores

Alegações são atribuídas a quem as fez. Não são conclusões deste arquivo.

  • Randolfe Rodrigues (senador, Rede-AP), 1 set. 2022: “O salário de um parlamentar não justifica esse patrimônio milionário”, disse ao pedir a investigação ao STF.

  • Bruno Brandão, Transparência Internacional Brasil (ao Estadão), 1 set. 2022: A compra de imóveis em dinheiro vivo seria prática “altamente atípica”, o que levanta suspeitas; não há acusação formal sobre as compras.

Respostas dos envolvidos

  • Resposta pública

    Jair Bolsonaro, 30 ago. 2022: Perguntado em Brasília, disse: “Qual é o problema de comprar com dinheiro vivo algum imóvel, eu não sei o que está escrito na matéria... Qual é o problema?” e “Investiga, meu Deus do céu.” Disse ainda não ter relação com os negócios de filhos e irmãos. O UOL registra ter procurado o presidente pela assessoria do governo antes da publicação, sem retorno até então.

  • Resposta pública

    Jair Bolsonaro, 6 set. 2022: Na Jovem Pan, disse que “[em] qualquer escritura está escrito moeda corrente” e que o UOL confundiu o termo com dinheiro vivo; em 12/09, a podcasters, disse que moeda corrente “pode ser dinheiro vivo, pode ser cheque, pode ser DOC”.

  • Manifestação da defesa

    Flávio Bolsonaro, 22 set. 2022: A defesa sustentou no TJDFT que as suspeitas sobre as compras se basearam em investigação sigilosa anulada pelo STJ e obteve liminar para retirar as reportagens, depois derrubada no STF. Em ocasiões anteriores, segundo o UOL, Flávio sempre negou irregularidades.

  • Manifestação da defesa

    Carlos Bolsonaro: Segundo o UOL, a defesa admitiu o pagamento em dinheiro do apartamento comprado em 2003 e disse que Carlos tinha recursos para a operação.

  • Resposta pública

    Cristina Bolsonaro, 9 set. 2022: Procurada pelo UOL, negou o relato de ex-funcionário sobre pagamentos em dinheiro vivo na casa da Barra da Tijuca.

  • Resposta não localizada na pesquisa

    Eduardo Bolsonaro: Nas fontes lidas não há explicação pública dele sobre as parcelas em espécie dos apartamentos de Copacabana e Botafogo; o UOL afirma que ele foi questionado várias vezes desde 2020.

  • Resposta não localizada na pesquisa

    Rogéria Bolsonaro: Nas fontes lidas não há explicação pública dela sobre o pagamento do apartamento de 1996; o UOL afirma que ela foi questionada.

Consequências comprovadas

  • Decisão judicial

    As reportagens do UOL ficaram fora do ar por ordem do TJDFT e voltaram após liminar do ministro André Mendonça na Reclamação 55.991 (23/09/2022).

  • Arquivamento

    Os dois pedidos de investigação levados ao STF (Randolfe Rodrigues, negado em 24/09/2022; Reginaldo Lopes, arquivado com publicação em 20/11/2023) não foram aceitos por falta de justa causa. Segundo o Estadão, a PGR não tinha outras investigações sobre o episódio, e uma investigação de 2021 sobre compra de imóvel em dinheiro vivo por Eduardo Bolsonaro já havia sido arquivada. Arquivamento por falta de justa causa não equivale a declaração de que os fatos não ocorreram.

Limitações e questões em aberto

  • Nenhuma escritura, certidão, petição ou decisão foi lida; os números dos processos no STF (exceto a Rcl 55.991, citada pelo Migalhas) não constam das fontes lidas.
  • Divergência de números: o UOL fala em 51 imóveis “desde os anos 1990” e R$ 13,5 milhões em pagamentos em dinheiro; o Estadão (2023) fala em 51 imóveis entre 1998 e 2022, R$ 18,9 milhões, e diz que o caso foi revelado “em setembro”, quando a reportagem é de 30/08/2022. Prevalecem aqui os números da reportagem original.
  • Não está claro se os pedidos de Randolfe Rodrigues (negado em 24/09/2022) e de Reginaldo Lopes (protocolado em 1º/09/2022, segundo o Estadão, e arquivado em 2023) tramitaram como petições distintas; o desfecho do agravo de Randolfe não foi localizado.
  • A afirmação de Mendonça de que a reportagem não indica aquisição pessoal de imóvel pelo presidente diverge do levantamento do UOL; a decisão não foi lida.
  • O desfecho de mérito da ação de Flávio Bolsonaro contra o UOL no TJDFT não foi verificado.
  • O UOL cita investigação da PF sobre a compra de uma casa em Brasília por Ana Cristina Valle em 2021 (fora do levantamento de dinheiro vivo); seu andamento não foi verificado.
  • Reportagens citadas como fonte das revelações anteriores (O Globo, Época, Estadão, Folha, Jornal Nacional, 2018–2020) e a disputa sobre propaganda eleitoral do tema no TSE em 2022 não foram lidas.
  • Imóveis dos irmãos e da mãe de Jair Bolsonaro, vendedores, ex-funcionários e endereços exatos não são detalhados de propósito: são pessoas privadas ou dados pessoais.

Pendências de apuração

  • Ler e preservar a decisão de Mendonça de 24/09/2022 (o Poder360 linka o PDF), a liminar na Rcl 55.991 e a decisão de arquivamento publicada em 20/11/2023, com os números das petições.
  • Verificar o desfecho do agravo interno de Randolfe Rodrigues e se houve recurso de Reginaldo Lopes.
  • Confirmar o arquivamento, em 2021, da investigação sobre compra de imóvel por Eduardo Bolsonaro (órgão, data e fundamento).
  • Verificar o andamento do projeto de lei no Senado que proíbe dinheiro em espécie em transações imobiliárias, citado pelo UOL.

Histórico de atualizações

  1. — Dossiê criado a pedido do responsável. escrituras e decisões não lidas;

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