Personagem · rede de relações
Daniel Vorcaro
Preso (preventiva)Banqueiro, controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 18/11/2025. É investigado no STF (Pet 15.556, Operação Compliance Zero) por suspeitas de fraudes na gestão do banco, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Financiou o filme "Dark Horse" a pedido de Flávio Bolsonaro, segundo a PF e o próprio senador.
Esta ficha documenta separadamente (A) o envolvimento criminal registrado e (B) a relação com integrantes da família. Uma relação documentada não demonstra, por si só, conhecimento ou participação em crimes.
A. Envolvimento criminal e situação processual
- Investigado
Investigado na Operação Compliance Zero. Prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça em 03/03/2026, com base em "indícios consistentes", em cognição sumária, de gestão fraudulenta, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- primáriaSupremo Tribunal Federal (cópia no Wikimedia Commons)fichap. 40, § 106 (dispositivo); trecho: "DECRETO A PRISÃO PREVENTIVA DOS INVESTIGADOS"; "(i) DANIEL BUENO VORCARO;(ii) FABIANO CAMPOS ZETTEL"
- primáriaSupremo Tribunal Federal (cópia no Wikimedia Commons)fichapp. 3–4, § 8.1; trecho: "em cognição sumária própria deste estágio processual, indícios consistentes da prática de diversos crimes"; "gestão fraudulenta de instituição financeira"; "lavagem de dinheiro"
- primáriaNotícias STFficha1º e 2º parágrafos; trecho: "determinou, na manhã desta quarta-feira (4), a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro"; "A investigação aponta a existência de esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro, supostamente comandado e coordenado por Vorcaro"
- primáriaSupremo Tribunal Federal (cópia no Wikimedia Commons)fichap. 25 (trecho da representação da PF transcrito na decisão); trecho: "mesmo após ser posto em liberdade, o que ocorreu no dia 28/11/2025"; "montante que alcança quase 40 bilhões de reais"
B. Relação com a família
Flávio Bolsonaro — Relação comercial
Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro o financiamento de "Dark Horse": contrato de US$ 24 milhões em 14 parcelas, com ao menos cerca de R$ 61 milhões pagos via Entre Investimentos e o fundo Havengate. Os dois se conheceram em dezembro de 2024, segundo Flávio. Ao longo de 2025, Flávio cobrou parcelas atrasadas. Em 16/11/2025, véspera da prisão do banqueiro, escreveu: "Irmão, estou e estarei contigo sempre". Desde 22/07/2026, Flávio é investigado no STF por suspeita, em tese, de lavagem, evasão de divisas e corrupção ligadas a esse financiamento. Vorcaro está preso preventivamente por decisão de 03/03/2026, em outro procedimento (Pet 15.556).
- CNN Brasilfichanota de Flávio Bolsonaro reproduzida pela CNN; trecho: "o aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai"; "Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024"; "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem."
- CNN Brasilfichaentrada de 18/12/2024; trecho: "O valor do investimento é de US$ 24 milhões , divido em 14 parcelas (duas de US$ 2 milhões e o restante de US$ 1,66 milhões)."; "representada por Karina da Gama e Michael Brian Davis"
- Agência Brasil (EBC)fichaparágrafo sobre 16/11/2025; trecho: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente."
- Agência Brasil (EBC)fichaseção "Imagina um calote"; trecho: "Em 8 de setembro de 2025, Flávio voltou a procurar Vorcaro por causa de parcelas atrasadas."
- Metrópolesfichaparágrafo com a transcrição do pedido da PF e da autorização; trecho: "para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro"; "Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial"
- primáriaSupremo Tribunal Federal (cópia no Wikimedia Commons)fichap. 40, § 106 (dispositivo); trecho: "DECRETO A PRISÃO PREVENTIVA DOS INVESTIGADOS"; "(i) DANIEL BUENO VORCARO;(ii) FABIANO CAMPOS ZETTEL"
O que os documentos permitem concluir
- Os documentos permitem concluir que Vorcaro aceitou financiar o filme a pedido de Flávio Bolsonaro e que recursos ligados a ele chegaram ao Havengate em 2025. Flávio confirmou a captação de R$ 61 milhões.
- O BC liquidou o banco que ele controlava, e o STF decretou sua prisão preventiva por indícios de crimes na gestão do banco.
O que não foi demonstrado
- Que os recursos enviados ao filme sejam produto de crime: não há denúncia nem decisão que o afirme.
- Que tenha havido contrapartida de Flávio Bolsonaro, que nega ter oferecido vantagens. A PF investiga corrupção "em tese".
Escândalos: dossiês relacionados
Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o financiamento de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro: um contrato de US$ 24 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões foram pagos em 2025, por remessas da Entre Investimentos ao fundo Havengate, nos EUA, administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. O BC liquidou o Master em 18/11/2025, e o STF decretou a prisão preventiva de Vorcaro em 03/03/2026, apontando "indícios consistentes" de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro no banco. Desde 22/07/2026, Flávio é investigado no STF por suspeita de lavagem, evasão de divisas e corrupção ligadas ao filme. Nenhum documento oficial lido afirma que o dinheiro do filme é produto de crime: a origem e o destino dos recursos ainda estão sob investigação.
Situação dos procedimentos
Esfera criminal
Cronologia
9 out. 2026 — A PF pede ao Ministério da Justiça cooperação com os EUA para rastrear o dinheiro enviado ao Havengate, segundo a CNN. Fato documentado
- CNN Brasilficha1º parágrafo; trecho: "A PF (Polícia Federal) acionou nesta sexta-feira (9) o Ministério da Justiça e Segurança Pública para solicitar cooperação com os Estados Unidos"
12 set. 2026 — O presidente do STF, Edson Fachin, determina a remessa à Presidência das Pets 15.041 (INSS) e 15.556 (caso Master), com todos os processos relacionados. Decisão judicial
- primáriaNotícias STFficha1º parágrafo; trecho: "determinou neste sábado (12) a remessa à Presidência das Petições (Pets) 15041 e 15556, com todos os processos relacionados a elas"
10 set. 2026 — Operação Make Up: com autorização de Dino, a PF cumpre 49 mandados de busca; Mario Frias, Karina Gama e os demais 29 alvos ficam proibidos de deixar o país e de manter contato entre si. Decisão judicial
- Agência Brasil (EBC)ficha1º e 5º parágrafos; trecho: "a Operação Make Up, para apurar desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares repassadas a empresa privada"; "A Polícia Federal investiga a existência de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios."
- Metrópolesficha1º, 6º e 8º parágrafos (trecho da decisão de Dino citado pelo veículo); trecho: "proibiu o deputado Mario Frias (PL-SP) de deixar o país e de manter contato com os outros investigados no inquérito sobre o filme Dark Horse"; "já por ocasião da instauração, foram encontrados indicativos da prática de crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato"; "A restrição de manter contato com os demais investigados e de sair do país recai também sobre todos os 29 alvos da operação desta quinta-feira."
10 set. 2026 — Mendonça levanta o sigilo da Pet 15.556 e de 14 procedimentos relacionados, entre eles o Inq 5.026; a apuração específica sobre o filme continua sob sigilo, segundo a Agência Brasil. Decisão judicial
- primáriaSupremo Tribunal Federal (cópia em PDF hospedada pelo Poder360)fichap. 1, item 1; trecho: "promovo o levantamento do sigilo dos autos da PET nº 15.556"; "INQ 5.026; RCL 88.121"
- Agência Brasil (EBC)ficha6º parágrafo; trecho: "o teor do inquérito em si foi mantido sob sigilo por Mendonça, assim como toda a apuração envolvendo o Master e o filme Dark Horse"
9 set. 2026 — Mendonça homologa a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre, que relatou sete transferências ao Havengate a pedido de Vorcaro, somando cerca de US$ 12,3 milhões. Decisão judicial
- Banda Bficha1º parágrafo; trecho: "homologou nesta quarta-feira (9) a delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior"
- CartaCapitalfichaparágrafo sobre o acordo de colaboração; trecho: "ele fez sete transferências para o Havengate, a pedido de Vorcaro, que somaram 12,3 milhões de dólares"
24 ago. 2026 — O ministro Flávio Dino (STF), relator de inquérito sobre emendas de Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora, autoriza a PF a acessar dados de investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up Entertainment. Decisão judicial
- Agência Brasil (EBC)ficha1º e 4º parágrafos; trecho: "autorizou nesta segunda-feira (24) a Policia Federal (PF) a ter acesso a dados da investigação que envolve a produtora audiovisual Go Up Entertainment"; "suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao instituto"
22 jul. 2026 — Mendonça autoriza, a pedido da PF e com aval da PGR, procedimento investigatório vinculado ao Inq 5.026 para apurar a "hipótese criminal" de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção atribuída "em tese" ao senador Flávio Bolsonaro no financiamento de Dark Horse. Decisão judicial
- Metrópolesfichaparágrafo com a transcrição do pedido da PF e da autorização; trecho: "para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro"; "Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial"
- Agência Brasil (EBC)ficha2º e 4º parágrafos; trecho: "Flávio foi incluído em 22 de julho na investigação"; "O inquérito foi aberto a pedido da Polícia Federal (PF) e recebeu o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR)."
- CNN Brasilficha2º e 3º parágrafos; trecho: "A autorização foi concedida na quarta-feira (22)"; "A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor das investigações."
14 mai. 2026 — Relatórios do Coaf, segundo o g1 e o InfoMoney, mostram que a Entre Investimentos recebeu ao menos R$ 159,2 milhões de fundos e estruturas investigados na Compliance Zero, R$ 139,2 milhões deles da Sefer Investimentos, que nega os pagamentos. Suspeita sob investigação
- InfoMoneyficha2º, 3º e 9º parágrafos; trecho: "Segundo os documentos, a empresa recebeu ao menos R$ 159,2 milhões de fundos e estruturas financeiras investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero."; "A Sefer transferiu R$ 139,2 milhões para a empresa."; "A PF ainda tenta identificar qual parcela desse montante foi efetivamente destinada à produção cinematográfica"
- InfoMoneyfichanota da Sefer Investimentos; trecho: "não houve pagamento por parte da Sefer Investimentos ou do fundo Dublin à empresa Entre Investimentos nos termos citados nas matérias"
Respostas e contestações
- Resposta não localizada na pesquisa
Não localizada manifestação dele ou da defesa sobre o financiamento do filme.
Lacunas e limitações
- Representações da PF e decisões das demais fases não lidas.
- Nenhuma foto com licença livre de origem oficial localizada.