Escândalo · Segurança pública, armas e violência política · Atuação parlamentar dos filhos
Caso Ana Clara: Flávio Bolsonaro como advogado do policial acusado
Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, morreu em 2 de fevereiro de 2021, atingida por um tiro de fuzil na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ), durante um patrulhamento da Polícia Militar. O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o cabo Bruno Dias Delaroli, que responde como acusado: não foi julgado nem condenado. Em 2024, o senador Flávio Bolsonaro integrou a defesa do policial e assinou um recurso ao STJ contra a decisão que o levou ao Tribunal do Júri; o recurso foi negado, segundo a imprensa. O caso voltou ao debate público em 2026, em reportagens e na campanha presidencial. O dossiê separa o que está documentado, as alegações de cada lado e a resposta de Flávio Bolsonaro. Os autos não foram lidos; o que é processual vem de reportagens e está atribuído.
O caso num quadro
Sem condenação criminal Flávio Bolsonaro atuou como advogado do policial acusado pela morte da menina; ele não é investigado. O policial responde como acusado, sem julgamento.
Pessoas e instituições envolvidas

PPBPPPSCPSLsem partidoPATRIOTAPL
Bruno Dias Delaroli
Contexto
Advogar para um acusado é exercício de um direito assegurado pela Constituição (ampla defesa) e, por si só, não significa concordar com o crime imputado. O debate público é sobre a escolha de um senador e candidato de assumir essa defesa; a pesquisa não encontrou, nas fontes lidas, ligação de Flávio Bolsonaro com a morte de Ana Clara. A imprensa também menciona que o episódio foi explorado pela campanha de Lula, adversária de Flávio no segundo turno de 2026; as fontes lidas têm linhas editoriais distintas e isso está indicado em cada ficha de fonte.
Cronologia
Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, é atingida por tiro de fuzil enquanto brincava com o irmão, de 2 anos, na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, durante patrulhamento da PM. Segundo o MPRJ, o disparo partiu do fuzil do cabo Bruno Dias Delaroli. Fato documentado
- CartaCapitalfichaseção “Menina brincava quando foi baleada”: data e circunstâncias
- Jovem Panfichaabertura da reportagem de 04/02/2021
O policial é preso em flagrante após, segundo a Polícia Civil, divergências entre seus depoimentos e o de testemunhas e a perícia. A PM afirmou na época que os tiros foram fruto de "confronto entre criminosos e equipes do 12º BPM". Fato documentado
A prisão preventiva é revogada e substituída por medidas cautelares: o policial passa a responder ao processo em liberdade. Decisão judicial
- Congresso em Focofichaparágrafo “Delaroli foi preso em flagrante, mas passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021”
- ICL Notíciasfichaparágrafo sobre a revogação da prisão em novembro de 2021
Já determinado o julgamento pelo Tribunal do Júri, Flávio Bolsonaro, então senador, integra a defesa do policial e assina recurso ao STJ para tentar reverter a decisão. Segundo as reportagens, o recurso foi negado. O mês, o número do processo e o conteúdo da decisão do STJ não constam das fontes lidas. Fato documentado
- CartaCapitalfichaseção “Flávio advogou para o assassino” (texto do veículo; o acusado é tratado no dossiê como acusado)
- GCMaisfichaseção “Qual é a relação de Flávio Bolsonaro com o caso Ana Clara?”
- ICL Notíciasfichaparágrafos sobre o recurso apresentado em 2024 e a negativa do STJ
O ICL Notícias publica a primeira reportagem lida por este arquivo sobre a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial; segundo a matéria, o senador e um dos escritórios não retornaram aos contatos. Fato documentado
- ICL Notíciasfichacabeçalho (data) e parágrafos sobre os contatos feitos
A série Revelando (iniciativa do podcast Calma Urgente, com ICL Notícias, Mídia Ninja e 342 Artes) publica o episódio “O Julgamento que Nunca Aconteceu”, apresentado por Camila Pitanga, sobre o caso e a entrada de Flávio na defesa. Fato documentado
No debate presidencial da Band, Lula pergunta a Flávio Bolsonaro por que atuou na defesa do policial; Flávio responde que não se pode criminalizar a advocacia. Declaração registrada
- CartaCapitalfichacitações do debate (pergunta de Lula e resposta de Flávio)
- TVT Newsfichaparágrafo sobre a resposta de Flávio
O que está documentado
- Denúncia oferecida · relato de reportagens sobre a denúncia do MPRJ; autos não lidos
Ana Clara Gomes Machado morreu em 2 de fevereiro de 2021, atingida por disparo de fuzil na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. Segundo a denúncia do MPRJ, relatada pela imprensa, o cabo Bruno Dias Delaroli atirou em direção a uma área residencial e “assumiu o risco de atingir moradores”. A denúncia não foi lida por este arquivo.
- CartaCapitalfichaseção “Menina brincava quando foi baleada”: “assumiu o risco de atingir moradores”
- ICL Notíciasfichaseção “O que diz a denúncia contra o PM”: “com vontade livre e consciente, assumindo o risco de matar”
- Fato documentado · relato de reportagens; autos não lidos
O policial é acusado, não condenado. A decisão de encaminhar um réu ao Tribunal do Júri não representa veredito de culpa. Mais de cinco anos depois da morte, o julgamento ainda não havia ocorrido até outubro de 2026, segundo as reportagens.
- Cidade de Niteróifichaseção “Do que o policial é acusado”: “Delaroli é acusado, não condenado”
- TVT Newsfichaúltimo parágrafo da seção sobre Flávio: julgamento não havia ocorrido até outubro de 2026
- Fato documentado · relato de reportagens; peça e decisão do STJ não lidas
Flávio Bolsonaro assinou em 2024 um recurso ao STJ contra a decisão que determinou o julgamento do policial pelo Tribunal do Júri; o STJ negou o pedido, segundo as reportagens. Ele atuou no processo enquanto exercia o mandato de senador.
- CartaCapitalfichaseção “Flávio advogou para o assassino” (primeiros parágrafos)
- GCMaisfichaseção sobre a relação de Flávio com o caso
- Congresso em Focofichaseção “Qual foi a participação de Flávio Bolsonaro?”
- Fato documentado · cruzamento de reportagens; autos não lidos
A atuação documentada de Flávio foi um recurso contra a decisão que encaminhou o acusado ao Tribunal do Júri (decisão de pronúncia), medida processual distinta de um pedido de revogação de prisão. A prisão preventiva já havia sido revogada em novembro de 2021, antes da entrada de Flávio na defesa, em 2024. O GCMais observa que, ao contrário do que Lula disse no debate (“foi interferir para que o policial […] não fosse preso”), a atuação documentada de Flávio envolveu o recurso contra a pronúncia, e não um pedido específico de revogação de prisão; a campanha de Lula pode ter outra leitura, que este arquivo não registra.
- GCMaisfichaparágrafos “A atuação judicial documentada de Flávio […] medida processual distinta de um pedido específico de revogação de prisão” e “A defesa buscava reverter a decisão de pronúncia”
- Congresso em Focofichaparágrafo sobre a liberdade em novembro de 2021
- ICL Notíciasfichaparágrafo sobre a revogação da preventiva em novembro de 2021
- Alegação atribuída · relato de reportagens sobre a denúncia e a defesa; laudos e autos não lidos
A defesa do policial sustenta que ele reagiu a uma agressão de traficantes armados. O MPRJ sustentou, segundo as reportagens, que não havia indícios de confronto prévio: testemunhas negaram troca de tiros, e a perícia recolheu estojos de fuzil de calibre 7,62 mm, compatíveis com a arma do policial, sem estojos de pistola. A compatibilidade de calibre não equivale, por si só, a laudo conclusivo de identificação da arma, ao qual as reportagens não tiveram acesso direto.
- ICL Notíciasfichaparágrafos “Em sua defesa, o policial militar afirmou ter reagido…” e “não havia indícios de confronto prévio”
- Congresso em Focofichaparágrafo sobre a perícia (calibre 7,62) e a versão de confronto
- Cidade de Niteróifichaseção “O que a investigação encontrou no local”, ressalva sobre o laudo
- Alegação atribuída · relato de uma reportagem; peça não lida
Segundo o ICL Notícias, Flávio Bolsonaro também assinou, com o escritório Paulo Klein Advogados, recurso ao STJ em defesa de quatro policiais militares acusados de mortes em operação no Vidigal (16/01/2020), para reverter a decisão que os levou a júri. Esse caso é distinto e não é objeto deste dossiê; a informação vem só dessa reportagem e a peça não foi lida.
- ICL Notíciasfichaseção “Senador defendeu PMs acusados de emboscada”
Alegações e seus autores
Defesa do policial, 2021: O policial reagiu a uma agressão de traficantes armados.
- CartaCapitalfichaparágrafo “A defesa do PM sustenta que ele reagiu a uma agressão de traficantes”
- ICL Notíciasfichaparágrafo “Em sua defesa, o policial militar afirmou ter reagido…”
Polícia Militar do Rio de Janeiro, 4 fev. 2021: Os tiros foram fruto de "confronto entre criminosos e equipes do 12º BPM", e um procedimento interno foi instaurado.
Mãe da menina (relato à imprensa em 2021), 4 fev. 2021: Disse que a filha “morreu salvando o irmão de dois anos” e que o policial agiu com deboche em relação à família.
Lula (presidente e candidato), 18 out. 2026: No debate da Band: “Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?” A autoria do disparo é atribuída ao policial pela acusação e ainda não foi decidida em julgamento.
- CartaCapitalfichacitação da pergunta de Lula no debate
Respostas dos envolvidos
- Resposta pública
Flávio Bolsonaro, 18 out. 2026: No debate da Band, respondeu a Lula: “Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara.” Segundo as reportagens, não explicou além disso a escolha de assumir a defesa.
- CartaCapitalfichacitação da resposta de Flávio no debate
- TVT Newsfichaparágrafo “Flávio respondeu que não se deve criminalizar o exercício da advocacia e afirmou que o policial ainda não havia sido julgado”
- Resposta não localizada na pesquisa
Flávio Bolsonaro, 30 set. 2026: Sem manifestação localizada sobre o episódio da série Revelando: segundo o Poder360, a assessoria foi procurada e não houve retorno até a publicação. Este arquivo não enviou pedido de manifestação.
- Resposta não localizada na pesquisa
Flávio Bolsonaro, 31 mar. 2026: Sem manifestação localizada na reportagem do ICL Notícias de março de 2026: segundo a matéria, o senador e o escritório Giusto e Klein Advocacia não retornaram aos contatos, e o escritório Paulo Klein Advogados informou que não se pronunciaria.
Consequências comprovadas
- Fato documentado
O caso passou a ser explorado pela campanha de Lula na reta final da eleição de 2026, segundo o Poder360, e o termo “flavio bolsonaro caso ana clara” chegou ao topo do Google Trends em 19/10/2026, segundo o Congresso em Foco (estimativa de buscas, não de pessoas).
- Poder360fichaparágrafo sobre a campanha de Lula
- Congresso em Focofichaabertura: Google Trends em 19/10/2026
Limitações e questões em aberto
- Os autos (TJRJ e STJ), a denúncia do MPRJ, a decisão de pronúncia e a decisão do STJ não foram lidos; o número do processo e as datas da pronúncia e da decisão do STJ não constam das fontes lidas.
- A data do júri não foi confirmada: as fontes lidas dizem só que o julgamento não ocorreu até outubro de 2026.
- Uma informação de que o policial já responderia por outro homicídio, vista em verbete enciclopédico não primário, não foi confirmada em fonte lida e não é registrada.
- Quem contratou a defesa, a forma de remuneração e a relação de Flávio com os demais advogados não foram pesquisadas; a menção a um advogado que atuou em outro caso ligado a Flávio vem só do ICL Notícias e não é registrada como fato.
- Os vídeos (episódio da série Revelando e debate da Band) não foram assistidos; as falas vêm de reportagens.
- Fontes de linhas editoriais distintas: ICL Notícias, TVT News e CartaCapital têm linha crítica a Flávio Bolsonaro; Poder360, Congresso em Foco, GCMais e Cidade de Niterói são generalistas. O título da CartaCapital atribui a morte ao policial como fato, enquanto ele responde como acusado; o dossiê não adota esse enquadramento.
- A grafia do sobrenome do policial varia entre veículos (Delaroli/Delarolli); foi adotada a da denúncia segundo o ICL Notícias.
Pendências de apuração
- Consultar o andamento no TJRJ e no STJ (consulta pública por nome das partes) e ler a pronúncia, a denúncia, a peça assinada por Flávio e a decisão do STJ.
- Confirmar com fonte oficial a data prevista do júri.
- Procurar manifestação direta de Flávio Bolsonaro, da campanha e da OAB sobre a atuação (sem contatar ninguém nesta etapa).
- Cadastrar o procedimento em `procedimentos` quando houver número oficial e fonte lida.
Histórico de atualizações
- — Dossiê criado a pedido do responsável. autos não lidos;