Declaração · Relações internacionais e diplomacia · Meio ambiente, desmatamento e povos indígenas
Em Davos, a Al Gore, Jair Bolsonaro diz que o Brasil tem "muitas riquezas" na Amazônia e que gostaria de explorá-las "junto com os Estados Unidos"
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“A Amazônia não pode ser esquecida. Temos muitas riquezas. Gostaria muito de explorá-las junto com os Estados Unidos.”
Há 4 versões divergentes desta fala. O texto acima reúne só o que as versões têm em comum. Compare as versões.
- CartaCapitalficha2º e 3º parágrafos (falas entre aspas; "Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos")
- Brasil Wireficha1º parágrafo: "At the World Economic Forum in January 2019"
Versões da fala
Transcrição da CartaCapital
- Autoria
- Pedro Alexandre Sanches, CartaCapital (descrição do documentário)
- Data
- 30 ago. 2020
- Origem
- "Documentário alemão exibe o vexame de Bolsonaro em Davos", CartaCapital, 30/08/2020, 2º parágrafo. Baixada por curl em 14/10/2026.
- Natureza
- Natureza indeterminada. O texto não diz se reproduz a legenda do filme ou o áudio; coincide quase palavra a palavra com as legendas em português do trecho de vídeo.
“A Amazônia não pode ser esquecida. Temos muitas riquezas. Gostaria muito de explorá-las junto com os Estados Unidos”
- CartaCapitalficha2º parágrafo (citação entre aspas)
Legendas em português do trecho de vídeo
- Autoria
- Legendas embutidas no trecho promocional do documentário "O Fórum" (encerra com a cartela "Assista O Fórum"); arquivo hospedado pelo Brasil Wire
- Data
- ago. 2020
- Origem
- https://www.brasilwire.com/wp-content/uploads/2020/08/Bolsonaro-Gore.mp4, aprox. 00:00:56–00:01:09; quadros extraídos com ffmpeg em 14/10/2026.
- Natureza
- Natureza indeterminada. Legenda de distribuidor: pode traduzir a fala do intérprete (em inglês) e não necessariamente transcreve a fala de Bolsonaro em português. O áudio não foi ouvido.
“A Amazônia não pode ser esquecida. / Temos muitas riquezas. / E gostaria muito de explorá-la junto com os Estados Unidos.”
- Brasil Wire (hospedagem do arquivo)fichalegendas aprox. 00:00:56, 00:01:01 e 00:01:04–00:01:09
Versão da Rolling Stone Brasil
- Autoria
- Rolling Stone Brasil
- Data
- 25 ago. 2020
- Origem
- "'Adoraria explorar a Amazônia com os EUA', oferece Bolsonaro a Al Gore...", 25/08/2020. Baixada por curl em 14/10/2026.
- Natureza
- Natureza indeterminada. Texto entre aspas que não coincide com as legendas nem com a CartaCapital; não diz de onde foi tirado.
“Temos muita riqueza na Amazônia e eu adoraria explorar essa riqueza com os Estados Unidos”
- Rolling Stone Brasilfichaparágrafo que começa "Em certo trecho do documentário"
Versão em inglês do Brasil Wire (fala do intérprete)
- Autoria
- Brasil Wire
- Data
- 24 ago. 2020
- Origem
- "'We want to exploit the Amazon's resources with the US' – Bolsonaro to Al Gore", 24/08/2020. Baixada por curl em 14/10/2026.
- Natureza
- Natureza indeterminada. O veículo diz que Bolsonaro fala "through an interpreter" e registra que o intérprete usou "tap into"; não diz se a frase entre aspas é a tradução do próprio site ou a fala do intérprete.
“The Amazon cannot be forgotten. We have a wealth of resources. We would very much like to exploit (interpreter uses "tap into") these resources together with the United States.”
- Brasil Wirefichaparágrafo que começa "Bolsonaro appears to misinterpret Gore's sentiment"
Diferenças entre as versões
As quatro versões concordam no sentido: a Amazônia "não pode ser esquecida", o Brasil tem riquezas e Bolsonaro gostaria de explorá-las (ou explorá-la) junto com os Estados Unidos. Divergem em três pontos. (1) O objeto de "explorar": "explorá-las" (as riquezas) na CartaCapital; "explorá-la" (a Amazônia) na legenda; "essa riqueza" na Rolling Stone; "these resources" no Brasil Wire. (2) O verbo: "gostaria muito" (CartaCapital e legenda), "adoraria" (Rolling Stone), "We would very much like" (Brasil Wire, que registra que o intérprete disse "tap into", "aproveitar", e não "exploit"). (3) A Rolling Stone funde as frases ("Temos muita riqueza na Amazônia"). A fala original em português não foi ouvida; nenhuma versão é tratada como literal. O texto principal é o da CartaCapital, identificado como transcrição desse veículo.
De onde vem este texto
Texto literal conforme a reportagem consultada; não conferido na gravação original.
- Como a fonte reproduz a fala
- A fonte transcreve a fala diretamente.
- Base que a fonte declara
- A CartaCapital não diz como obteve o texto: descreve cenas do documentário "O Fórum". O texto coincide com as legendas em português do trecho de vídeo, com uma diferença ("explorá-las" na CartaCapital; "explorá-la" na legenda).
- Gravação original
- localizada, mas não conferida.
- Observação
- A fala original em português não foi ouvida. Data exata da conversa dentro do Fórum de janeiro de 2019 não documentada.
- CartaCapitalficha2º parágrafo: "A Amazônia não pode ser esquecida. Temos muitas riquezas. Gostaria muito de explorá-las junto com os Estados Unidos"
- Brasil Wire (hospedagem do arquivo)fichalegendas aprox. 00:00:56 ("A Amazônia não pode ser esquecida."), 00:01:01 ("Temos muitas riquezas."), 00:01:04–00:01:09 ("E gostaria muito de explorá-la junto com os Estados Unidos.")
Contexto
Antes da fala: Segundo a CartaCapital, Gore aborda Bolsonaro, diz ser amigo de Alfredo Sirkis e ouve: "Lá atrás fui inimigo do Sirkis, na luta armada". Nas legendas do trecho de vídeo, Gore diz: "Sabe, estamos todos profundamente preocupados com a Amazônia. Lamento trazer essa questão numa reunião informal mas é algo que me toca profundamente." Antes disso, a legenda atribui a Bolsonaro: "A história recém passada no Brasil dos militares foi muito mal contada."
O Estado de Minas descreve o Fórum de 2019 como a "primeira participação internacional de Bolsonaro após assumir a Presidência". O Brasil Wire diz que o chanceler Ernesto Araújo o acompanhava na conversa. Em 08/04/2019, em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro disse ter falado a Donald Trump que queria abrir a Amazônia para exploração em parceria com os EUA (declaração registrada separadamente).
Depois da fala: Na legenda, Gore responde: "Eu não entendi muito bem o que você quis dizer." A CartaCapital registra a seguir: "Gosto muito do povo americano. Conheço o senhor, não somos inimigos, precisamos conversar"; o Estado de Minas (2026) registra outra versão dessa continuação: "Eu gosto muito do povo americano. O Brasil elegeu um presidente que gosta dos Estados Unidos. E a Amazônia pode ser a solução para o mundo". Essa continuação não está no trecho de vídeo examinado.
Por que importa
Fala do presidente da República, em seu primeiro mês de mandato, sobre explorar recursos da Amazônia em parceria com os Estados Unidos.
Esclarecimentos e retratações
Reações e consequências documentadas
Em agosto de 2020, quando o trecho do documentário foi divulgado, a Rolling Stone Brasil registrou que a fala "ganhou novamente repercussão nas redes sociais" e que o vídeo "viraliza".
- Rolling Stone Brasilfichatítulo e 1º parágrafo: "ganhou novamente repercussão nas redes sociais"
Em janeiro de 2026 o vídeo voltou a circular, em meio às declarações de Donald Trump sobre controlar a Groenlândia; o Estado de Minas registrou que Bolsonaro "nunca chegou a formalizar qualquer proposta de cooperação internacional nos termos mencionados no vídeo".
- Estado de Minasficha1º parágrafo e parágrafo "O ex-presidente nunca chegou a formalizar..."
Em 2022, ao noticiar o discurso de Al Gore na COP27, o Poder360 lembrou a conversa: o presidente disse que desejava "explorar as riquezas" da Amazônia em parceria com os EUA e Gore, "aparentemente constrangido", disse não ter entendido "muito bem".
Dossiês relacionados
Limitações
- Fala original em português não ouvida: o trecho de vídeo foi examinado só pelas legendas; o documentário completo não foi assistido.
- Data exata da conversa dentro do Fórum Econômico Mundial de janeiro de 2019 não documentada.
- Nenhum esclarecimento, retratação ou comentário de Bolsonaro ou de sua assessoria sobre a cena foi localizado.
- Nenhuma declaração de Al Gore sobre essa conversa foi localizada.
- O pedido de pesquisa citava "abril de 2019": a conversa com Gore é de janeiro de 2019 (Davos). A fala de abril (08/04/2019, Jovem Pan) é outra, sobre o que Bolsonaro disse ter falado a Trump, e foi registrada à parte.