Declaração · Meio ambiente, desmatamento e povos indígenas · Relações internacionais e diplomacia
Na ONU, Jair Bolsonaro diz que a Amazônia "permanece praticamente intocada" e que a TI Yanomami tem 95 mil km² para "apenas 15 mil índios"
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente. Nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas. Vale ressaltar que existem também queimadas praticadas por índios e populações locais, como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência. [...] Hoje, 14% do território brasileiro está demarcado como terra indígena, mas é preciso entender que nossos nativos são seres humanos, exatamente como qualquer um de nós. [...] E esses territórios são enormes. A reserva Ianomâmi, sozinha, conta com aproximadamente 95 mil km2, o equivalente ao tamanho de Portugal ou da Hungria, embora apenas 15 mil índios vivam nessa área. [...] Ela não está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia.”
- primáriaFundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) — gov.br, "Política Externa Brasileira - 2019" (publicado em 08/11/2021)fichaseção "agora vamos falar de Amazônia", §§ 2–6 e 13–18; penúltima seção (§ "Ela não está sendo devastada")
Contexto
Antes da fala: O trecho sobre a Amazônia abre com "Senhorita Ysany Kalapalo, agora vamos falar de Amazônia" e com a afirmação de que o governo tem "um compromisso solene com a preservação do meio ambiente".
No trecho citado, o próprio presidente trata das queimadas na Amazônia ("Nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas").
Depois da fala: O presidente afirmou que "É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade", acusou "um ou outro país" de espírito colonialista, disse que o cacique Raoni é usado "como peça de manobra por governos estrangeiros" e que o Brasil "não vai aumentar para 20% sua área já demarcada como terra indígena". A frase final do trecho citado ("Ela não está sendo devastada...") vem mais adiante, ao convidar estrangeiros a visitar a Amazônia.
Por que importa
Posição oficial do governo brasileiro, na abertura da Assembleia Geral da ONU, sobre desmatamento, queimadas e terras indígenas.
Esclarecimentos e retratações
Checagens
- Na ONU, Jair Bolsonaro disse que 14% do território estava "demarcado como terra indígena"; os dados da FUNAI de setembro de 2019 davam 12,6% de terras homologadas ou regularizadas e 13,8% somando todas as fases
- Na ONU, Jair Bolsonaro disse que só 15 mil indígenas vivem na TI Yanomami; o IBGE contou 25,7 mil em 2010 e 27,2 mil em 2022
Limitações
- Vídeo do discurso não comparado com o texto oficial.
- "Praticamente intocada" e "não está sendo devastada" são avaliações; não foram transformadas em checagem. A afirmação sobre 14% do território foi checada no Lote 6 com dados da FUNAI de setembro de 2019 (ver checagem ligada).
- Contexto a documentar: alta de queimadas na Amazônia em agosto de 2019 (dados do INPE) e discussão do tema no G7, sem fonte no registro.