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Na Câmara, Eduardo Bolsonaro anuncia "CPI do TSE" e diz que senhas acessadas por hacker em 2018 permitiriam o tipo de fraude relatado por eleitores
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“O que ele está dizendo aqui? Que pelo menos na eleição de Aperibé, no Rio de Janeiro, o hacker teve acesso ao sistema, podendo-se fazer aquelas suspeitas que, em 2018, todo mundo viu, por todos os cantos, de eleitores que, quando iam votar, apertavam um número e já aparecia outro candidato e finalizava-se a votação. Falo isso para ficar aqui apenas em um exemplo de possibilidade de fraude. O Sr. Ministro Barroso sabia disso, mas, publicamente, Deputado Helio, o que ele dizia? "Fiquem tranquilos. O sistema é inviolável." Ou seja, mentiu.”
- primáriaCâmara dos Deputados — Dados Abertos (API /deputados/92346/discursos) e Diário da Câmara dos Deputados de 06/08/2021, p. 129fichacampo transcricao, §§ 3 e 4: "pelo menos na eleição de Aperibé, no Rio de Janeiro, o hacker teve acesso ao sistema"
Contexto
Antes da fala: Eduardo disse estar coletando assinaturas para uma "CPI do TSE" e relatou que, na véspera, Jair Bolsonaro e o deputado Filipe Barros haviam apresentado, numa transmissão da Jovem Pan, um relatório da Polícia Federal. Leu um trecho atribuído a documento assinado pelo então secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino: "as senhas de oficialização permitem a alteração de dados de partidos e candidatos 'até mesmo a sua exclusão' no contexto de um processo eleitoral. Ou seja, no caso concreto afeta somente a eleição suplementar 2018 de Aperibé/RJ".
Em 04/08/2021 Jair Bolsonaro e Filipe Barros divulgaram numa live o inquérito da PF nº 1361/2018, aberto a pedido do TSE após ataque hacker à rede do tribunal. Em 05/08/2021 o TSE divulgou nota afirmando que o acesso indevido "não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018". No mesmo dia a Comissão Especial da Câmara rejeitou a PEC do voto impresso, segundo o voto do relator na AIJE 0600814-85.
Depois da fala: Informou ter pedido ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão do ministro Luís Roberto Barroso no inquérito das fake news; disse que os registros (logs) do hacker "foram deletados" e que a afirmação de que a urna não é ligada à internet "é uma balela". Na segunda parte da fala, tratou da privatização dos Correios.
Por que importa
Eduardo Bolsonaro repetiu no plenário da Câmara, no dia seguinte à live, a associação entre o inquérito sobre o ataque hacker ao TSE e a possibilidade de troca de votos na urna.
Esclarecimentos e retratações
- Contestação
O TSE afirmou em nota que o acesso indevido investigado "não representou qualquer risco à integridade das eleições de 2018" e que as urnas "jamais entram em rede".
- primáriatse.jus.brfichaitens 2 e 4
Checagens
Limitações
- Áudio e vídeo da sessão não consultados; a nota taquigráfica é "sem revisão do orador".
- O documento do TSE lido pelo deputado integra o inquérito da PF nº 1361/2018, sob sigilo, e não foi consultado; não se identificou com segurança qual peça do inquérito ele leu.
- A afirmação de que os logs do hacker "foram deletados" não foi checada: não se localizou documento primário público sobre ela.