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A embaixadores, Jair Bolsonaro diz que hackers passaram "8 meses" nos computadores do TSE e que auditar eleições no Brasil é "impossível"
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“Teria muita coisa a falar aqui, mas eu quero me basear exclusivamente em um inquérito da Polícia Federal que foi aberto após o 2º turno das eleições de 2018, onde um hacker falou que houve que tinha havido fraude por ocasião das eleições. [...] É impossível fazer uma auditoria em eleições aqui no Brasil. [...] E, com todo respeito, 8 meses passeando dentro dos computadores do TSE esse grupo de hackers, será que o TSE não sabia? [...] bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral quem conta os votos, é uma empresa terceirizada.”
Há 3 versões divergentes desta fala. O texto acima é o da versão “Transcrição do TSE (voto do relator na AIJE 0600814-85)”, uma das versões, não a fala conferida. Compare as versões.
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 69 (item 4: "um inquérito da Polícia Federal que foi aberto após o 2º turno"); p. 71 ("8 meses passeando dentro dos computadores do TSE"); p. 72 ("é uma empresa terceirizada")
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichapp. 40–41: reunião no Palácio da Alvorada em 18/07/2022, "transmitido pela TV Brasil" e pelas redes sociais no Facebook e no Instagram
- primáriaPortal do Planalto (gov.br), seção "Discursos" (2022)fichaparágrafos que começam por "Teria muita coisa a falar aqui", "Só 2 países do mundo", "E agora a fotografia de outros países" e "Bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral"
- Poder360fichaíntegra, parágrafos que começam por "Teria muita coisa a falar aqui", "Só 2 países do mundo" e "Bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral"
Versões da fala
Transcrição do TSE (voto do relator na AIJE 0600814-85)
Texto principal desta página
- Autoria
- Tribunal Superior Eleitoral — Corregedoria-Geral Eleitoral (min. Benedito Gonçalves)
- Data
- 27 jun. 2023
- Origem
- Voto oral lido na sessão de 27/06/2023, pp. 69, 71 e 72, em cópia publicada pelo Poder360 (PDF preservado em arquivo/, SHA-256 conferido em 14/10/2026). O relator diz que a transcrição integral está no voto escrito, fls. 128–158, que não foi consultado.
- Natureza
- Transcrição da fala inteira. O relator declara ter feito "a transcrição integral do discurso" (voto, p. 66). Os trechos lidos conservam hesitações ("falou que houve que tinha havido") e o lapso "uma só palavra minha houve fora", marcam com "(sic)" erros de concordância da fala e põem entre colchetes o que o tribunal acrescenta ("[nem]", "[hackers]"): indícios de transcrição feita da gravação, não reescrita. O voto não identifica o arquivo nem o minuto de onde a transcrição foi feita.
“Teria muita coisa a falar aqui, mas eu quero me basear exclusivamente em um inquérito da Polícia Federal que foi aberto após o 2º turno das eleições de 2018, onde um hacker falou que houve que tinha havido fraude por ocasião das eleições. Falou que ele tinha invadido, o grupo dele, o TSE, o Tribunal Superior Eleitoral. E, obviamente, quando se fala em manipulação de números após eleições, quem manipula é quem ganhou. Então seria eu o manipulador. E a Polícia Federal começou, então, a apurar. Se houve ou não manipulação e de quem seria a responsabilidade. [...] É impossível fazer uma auditoria em eleições aqui no Brasil. [...] No Brasil, não tem como acompanhar a apuração. Eu não sei o que vêm fazer observadores de fora aqui. Vão fazer o quê? Vão observar o que? Se o sistema é falho, segundo o próprio TSE, é inauditável também, segundo uma auditoria externa pedido (sic) por um partido político, no caso, o PSDB, em 2014. E, com todo respeito, 8 meses passeando dentro dos computadores do TSE esse grupo de hackers, será que o TSE não sabia? [...] Aqui no Brasil, os observadores que porventura vierem para cá, eu queria saber o que eles vão observar aqui. [...] bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral quem conta os votos, é uma empresa terceirizada. Eu acho que nem precisava continuar essa explanação aqui. Nós queremos obviamente, estamos lutando para apresentar uma saída para isso tudo. Nós queremos confiança e transparência no sistema eleitoral brasileiro.”
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 66 (transcrição integral, fls. 128–158); pp. 69, 71 e 72 (trechos)
Texto publicado pela Presidência da República
- Autoria
- Presidência da República (Portal do Planalto, seção "Discursos")
- Data
- 31 out. 2022
- Origem
- gov.br/planalto, "Publicado em 31/10/2022 13h35", 105 dias depois do evento. Lido no snapshot do Wayback Machine de 03/11/2022.
- Natureza
- Transcrição da fala inteira. Transcrição da fala, não roteiro: cobre o evento inteiro, inclusive a pergunta exibida em vídeo ("PERGUNTA REPRODUZIDA"), e conserva marcas de oralidade ("né", "tá", a repetição "várias senhas ele conseguiu e obviamente, várias senhas ele conseguiu e obviamente" e o lapso "uma só palavra minha houve fora", que o TSE e o Poder360 também registram). Não é literal em todos os pontos: omite "esse grupo de hackers", que o TSE e o Poder360 registram, e traz "no inquérito" e "após o segundo turno de 2018" onde os dois trazem "em um inquérito" e "das eleições de 2018". A Presidência não diz quem transcreveu nem por que publicou o texto só em 31/10/2022.
“Teria muita coisa a falar aqui mas eu quero me basear exclusivamente no inquérito da Polícia Federal que foi aberto após o segundo turno de 2018 onde um hacker falou que tinha havido fraude por ocasião das eleições falou que ele tinha invadido, o grupo dele o TSE, Tribunal Superior Eleitoral e obviamente quando se fala em manipulação de números após as eleições quem manipula é quem ganhou, então seria eu o manipulador e a Polícia Federal começou então a apurar se houve ou não manipulação e de quem seria a responsabilidade. [...] é impossível fazer uma auditoria em eleições aqui no Brasil. E agora a fotografia de outros países com toda certeza tem gente aqui né, Inglaterra, França, Irlanda, Austrália, Alemanha, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão, olha que o pessoal tá acompanhando uma apuração, no Brasil não tem como acompanhar apuração eu não sei o que vem fazer observadores de fora aqui, vão fazer o que? Vão observar o que? Se o sistema é falho segundo o próprio TSE, é inauditável também, segundo uma auditoria externa pedida por um partido político, no caso o PSDB em 2014 e com todo respeito, 8 meses passeando dentro dos computadores do TSE, será que o TSE não sabia? Mas vamos continuar, mais outros países, Taiwan, Rússia, Suíça, Noruega, Itália, Israel o pessoal tem o que observar, aqui no Brasil os observadores que porventura vierem para cá, eu queria saber o que eles vão observar aqui. [...] Bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral quem conta os votos é uma empresa terceirizada, eu acho que eu nem precisava continuar essa explanação aqui, nós queremos obviamente, estamos lutando para apresentar uma saída para isso tudo, nós queremos confiança e transparência no sistema eleitoral brasileiro.”
- primáriaPortal do Planalto (gov.br), seção "Discursos" (2022)fichaparágrafos que começam por "Teria muita coisa a falar aqui", "Só 2 países do mundo", "E agora a fotografia de outros países", "Mas vamos continuar" e "Bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral"
Transcrição do Poder360
- Autoria
- Poder360 (o veículo não diz quem transcreveu)
- Data
- 18 jul. 2022
- Origem
- "Leia a íntegra do que disse Bolsonaro a embaixadores", 18/07/2022, 23h50, atualizada em 10/08/2022. Obtida por curl em 14/10/2026.
- Natureza
- Transcrição da fala inteira. Publicada no dia do evento como "íntegra do discurso"; conserva marcas de oralidade ("né", "Vamos continuar?") e o lapso "uma só palavra minha houve fora". Diverge do TSE e da Presidência num ponto que inverte o sentido, fora do texto citado: "Não seria eu o manipulador", onde os dois trazem "Então seria eu o manipulador". A página foi atualizada em 10/08/2022, e não se sabe se a transcrição mudou.
“Teria muita coisa a falar aqui mas eu quero me basear exclusivamente em um inquérito da Polícia Federal e foi aberto após o 2º turno das eleições de 2018, onde um hacker falou que tinha havido fraude por ocasião das eleições. Falou que ele tinha invadido, o grupo dele, o TSE. O Tribunal Superior Eleitoral. Obviamente, quando se fala em manipulação de números após eleições, quem manipula é quem ganhou. Não seria eu o manipulador. E a Polícia Federal começou, então, a apurar. Se houve ou não manipulação e de quem seria a responsabilidade. [...] É impossível fazer uma auditoria em eleições aqui no Brasil. E, agora, a fotografia de alguns países, com toda certeza tem gente aqui da Inglaterra, França, Irlanda. Alemanha, Hong Kong, Coréia do Sul, Japão. Olha, o pessoal está acompanhando a apuração. No Brasil, não tem como acompanhar a apuração. Eu não sei o que vem fazer os observadores de fora aqui. Vão fazer o quê? Vão observar o que? Se o sistema é falho, segundo o próprio TSE, é inauditável também segundo uma auditoria externa pedido por um partido político, no caso, o PSDB, em 2014. E, com todo respeito, 8 meses passeando dentro dos computadores do TSE, esse grupo de hacker, será que o TSE não sabia? Vamos continuar? Mais outros países: Taiwan, Rússia, Suíça, Noruega, Itália, Israel. O pessoal tem o que observar. Aqui no Brasil os observadores que, por ventura, vierem para cá, eu queria saber o que eles vão observar aqui. [...] Bem, não é o Tribunal Superior Eleitoral que conta os votos, é uma empresa terceirizada. Eu acho que nem precisava continuar essa explanação aqui. Nós queremos obviamente, estamos lutando para apresentar uma saída para isso tudo. Nós queremos confiança e transparência no Sistema Eleitoral Brasileiro.”
Diferenças entre as versões
No texto citado, a transcrição do TSE e a do Poder360, feitas por autores diferentes e publicadas com quase um ano de distância, coincidem, salvo: "falou que houve que tinha havido" (TSE) / "falou que tinha havido" (Poder360 e Presidência); "que foi aberto" (TSE e Presidência) / "e foi aberto" (Poder360); "esse grupo de hackers" (TSE) / "esse grupo de hacker" (Poder360); "quem conta os votos" (TSE e Presidência) / "que conta os votos" (Poder360); e pontuação. O texto da Presidência diverge dos outros dois em "no inquérito" (demais: "em um inquérito"), "após o segundo turno de 2018" ("após o 2º turno das eleições de 2018") e, sobretudo, na falta de "esse grupo de hackers" depois de "computadores do TSE". Nos trechos completos há outras diferenças, fora do texto citado: "Então seria eu o manipulador" (TSE e Presidência) / "Não seria eu o manipulador" (Poder360); "o grupo dele, o TSE, o Tribunal" / "o TSE. O Tribunal"; "vêm fazer observadores" / "vem fazer os observadores"; a Presidência inclui "Austrália" na lista de países. Leitura: no texto citado, o TSE é confirmado pelo Poder360, salvo a repetição "houve que" (só no TSE) e "hackers"/"hacker"; a omissão da Presidência é contrariada pelas outras duas transcrições. O texto principal segue o TSE. A gravação não foi conferida: as cópias públicas foram removidas.
De onde vem este texto
Texto literal conforme o documento consultado; não conferido na gravação original.
- Como a fonte reproduz a fala
- A fonte transcreve a fala diretamente.
- Base que a fonte declara
- O relator diz ter apresentado, "às fls. 128 a 158 do voto", um quadro em que "Na primeira, está a transcrição integral do discurso" (p. 66); não indica o arquivo nem o ID dos autos de que a transcrição foi feita. Registra que o evento "foi transmitido pela TV Brasil" e pelas redes sociais do candidato (pp. 40–41).
- Gravação original
- indisponível (removida ou fora de acesso público).
- Observação
- Segundo o voto (pp. 79–80), o YouTube removeu o vídeo do canal do ex-presidente até 10/08/2022, a cópia da TV Brasil exibia "este vídeo foi removido por violar as diretrizes da comunidade do YouTube" e as postagens no Facebook e no Instagram foram excluídas por ordem de 23/08/2022; nenhuma cópia em canal oficial foi localizada em 14/10/2026. Texto literal conforme o documento consultado; não conferido na gravação original. Há três transcrições do discurso (TSE, Presidência e Poder360), exibidas lado a lado; no texto citado, o TSE e o Poder360 coincidem salvo detalhes, e a Presidência omite "esse grupo de hackers" (ver diferenças entre as versões). O texto exibido segue o do TSE.
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichap. 66 (quadro com "a transcrição integral do discurso", fls. 128 a 158 do voto escrito); pp. 40–41 (transmissão)
- primáriaCópia publicada pelo Poder360 (static.poder360.com.br), vinculada na reportagem "Relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos"fichapp. 79–80 (remoção dos vídeos)
- primáriaPortal do Planalto (gov.br), seção "Discursos" (2022)fichatexto integral publicado em 31/10/2022
Contexto
Antes da fala: Segundo o voto (pp. 67–68), o discurso começou com a afirmação de que "até o momento" nenhuma palavra do presidente estivera fora "das quatro linhas da nossa Constituição" e com a promessa de que "tudo que vou falar aqui está documentado".
O discurso é o objeto da AIJE 0600814-85, proposta pelo PDT. O TSE, por 5 votos a 2, declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos contados das eleições de 2022, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação; Walter Braga Netto foi excluído da sanção.
Depois da fala: Nas passagens seguintes transcritas pelo TSE (pp. 72–73), Bolsonaro disse que as Forças Armadas foram convidadas pelo TSE a participar do processo eleitoral, que "todas as sugestões apresentadas pelas Forças Armadas podem ser cumpridas até 2 de outubro" e que não queria que "um lado ou outro questione os resultados das eleições".
Por que importa
O discurso a diplomatas estrangeiros foi o fato que levou o TSE a declarar Jair Bolsonaro inelegível em 30/06/2023.
Esclarecimentos e retratações
Reações e consequências documentadas
- Sanção eleitoral (não penal)
Em 30/06/2023 o Plenário do TSE, por 5 votos a 2, declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos contados a partir das eleições de 2022, pelo abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores; a maioria seguiu o voto do relator.
- primáriatse.jus.brficha§ 1 ("Por maioria de votos (5 a 2)") e seção "Consequências"
Checagens
Dossiês relacionados
Limitações
- A gravação não foi conferida: as cópias da TV Brasil e das redes do ex-presidente foram removidas, segundo o voto do relator (pp. 79–80), e nenhuma cópia em canal oficial foi localizada em 14/10/2026. O texto vem da transcrição do TSE no voto oral do relator, em cópia republicada pelo Poder360; o voto escrito de 382 páginas, que traz a transcrição integral em tabela (fls. 128 a 158, segundo o voto oral), e o acórdão não foram localizados em acesso aberto nesta pesquisa. O texto publicado pela Presidência em 31/10/2022 e a íntegra do Poder360 de 18/07/2022 estão exibidos como versões (ver diferenças).
- Sem marcação de tempo: o voto oral não indica o minuto dos trechos.
- A afirmação "não é o Tribunal Superior Eleitoral quem conta os votos, é uma empresa terceirizada" não foi checada nesta etapa: não se localizou documento primário do TSE que trate especificamente dela.