Declaração · Meio ambiente, desmatamento e povos indígenas · Desinformação e ataques à imprensa · Relações internacionais e diplomacia
Na ONU, Jair Bolsonaro diz que o Brasil é vítima de "uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal" e atribui incêndios a "caboclo e índio"
Registro em revisão de fontes; não publicado.
“Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil. [...] Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas.”
- primáriaFundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) — gov.br, "Política Externa Brasileira - 2020" (publicado em 09/11/2021)fichatrecho após "Nosso agronegócio continua pujante" até "em áreas já desmatadas"
Contexto
Antes da fala: Imediatamente antes, o presidente disse que o agronegócio brasileiro possui e respeita "a melhor legislação ambiental do planeta".
No mesmo trecho do discurso, o presidente trata de incêndios na Amazônia e de queimadas no Pantanal (ver contexto posterior).
Depois da fala: Entre os dois trechos citados, afirmou que o Brasil preserva "66% de nossa vegetação nativa" e usa "apenas 27% do nosso território para a pecuária e agricultura". Depois, disse que "Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação" e que, no Pantanal, "As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição".
Por que importa
Posição oficial do governo brasileiro na ONU atribuindo críticas ambientais a campanha de desinformação e incêndios a populações locais e indígenas.
Esclarecimentos e retratações
Checagens
- Na ONU, Jair Bolsonaro disse que a floresta amazônica "não permite a propagação do fogo em seu interior"; o INPE registrou 8,6 mil km² de cicatrizes de incêndio florestal na Amazônia em 2019 e 15,2 mil km² em 2020
- Na ONU, Jair Bolsonaro atribuiu os incêndios na Amazônia a roçados do "caboclo e o índio"; terras indígenas tiveram 7% dos focos em 2019 e cerca de 8% a 9% em 2020, e estudos ligam o fogo ao desmatamento
- Na ONU, Jair Bolsonaro disse que os incêndios na Amazônia acontecem "no entorno leste da Floresta"; em 2020, até a data do discurso, 42% dos focos do bioma estavam no Amazonas, em Rondônia, no Acre e em Roraima
Limitações
- Vídeo do discurso não comparado com o texto oficial.
- As afirmações sobre localização e autoria dos incêndios ("caboclo e índio", interior da floresta, entorno leste) foram checadas no Lote 6 com dados do INPE, em três checagens separadas (ver checagens ligadas). A autoria individual dos incêndios não é estabelecida por dados de focos.
- Contexto a documentar: dimensão das queimadas de 2020 na Amazônia e no Pantanal (dados do INPE), sem fonte no registro.